Quem sabe você passa por aqui?

Crônica: Eu a procuro, Ana.

E lá estava eu mais uma vez nos becos escuros daquela cidade, sonhando acordado. Procurava aquela mulher que outrora foi minha, mas que também era totalmente dela. Em todas as esquinas eu podia enxergar o brilho de seus olhos, como estavam na primeira vez que nossos corações se tocaram num abraço recíproco de ternura e tamanho carinho. Procurava desesperadamente os fios louros daqueles cabelos mal cuidados…

Faziam longos dois anos que tudo havia se findado, tudo menos a dor de tê-la visto chorar, tudo menos a dor de sua partida. Já estava tudo tão desgastado que poderia ser um “Graças a Deus”, e aquela viagem que a levou para longe do encontro dos meus lábios, foi o ápice da nossa desistência. Tudo bem, afinal era uma oportunidade de emprego maravilhosa e era como um sinal de que era o melhor para nós que nos esquecêssemos. Eu estava convencido disso nos primeiros 4 meses sem a sua companhia, mas quando encontrei uma maldita carta que eu nunca havia lido e tinha o seu nome escrito, dizia-me:

carta

“Meu amor!
Mesmo quando eu partir, meu coração continuará vívido como de uma criança que acabara de nascer, como um sol que nunca deixará de brilhar. Levarei comigo nossos sonhos, e todo amor que um dia existiu entre nós. Afinal, meu bem… Eu te amei, mas nem todo amor é para sempre. Há tantas paixões efêmeras, como há grandes amores que inflamam o nosso peito como um fogo que nunca se apaga. Parti para realizar meus novos sonhos… Fazer de mim uma nova mulher, talvez melhor… Não sei, isto só o tempo dirá. E mesmo quando for tarde demais para nós dois, saiba que eu dei o melhor de mim. Mas nem tudo que é melhor, é suficiente. Talvez seja de mais ou de menos. Enfim, estou indo agora como uma fênix para reviver em outro amor, e será o próprio. Cuide-se!”

– Daquela que ficou na duvida entre liberdade e solidão, e decidiu voar.
                          ANA 07/08/2001

Percebi que eu NUNCA havia deixado de amá-la… E tomei um grande desdém, pois tudo que eu queria era me livrar desse sentimento. Amaldiçoei todos os dias o aperto que constantemente atormentava o meu peito. Ana era o meu único amor…
Fiz de tudo para esquecê-la, passei noites e mais noites com outras mulheres. Procurava nelas o cheiro de quem tanto amei, em seus braços procurava o prazer, o carinho que Ana me oferecia. Elas eram simplesmente incríveis, mas não eram Ana.

Minhas madrugadas cinzas, mergulhava no sofrimento que eu havia escolhido à força aceitar… Estava em bares embriagado, era sempre o último a sair, expulso por seus donos. Eu experimentei de tudo que poderia me matar, de bebidas alcoólicas à cigarros… Eu havia perdido cabelos, perdido peso, eu perdia tudo e tudo o que eu queria era ganhar novamente aqueles lábios entre os meus, provar daquele corpo, viver aqueles sonhos. E eu tinha a certeza de que nunca mais teria nada disto, tempo perdido jamais é recuperado.

Meses depois um amigo me convenceu a sair do buraco onde eu havia me enfiado, e bem… Estou melhor. Mas a cada dia tenho a certeza que nunca deixarei de amá-la, que desejo-lhe toda sorte do mundo e o melhor amor que a vida possa lhe entregar. Eu ainda a vejo quando fecho os olhos, sonho com seus beijos… Mas me disseram que tudo passa, e pensei: Quem sabe você passa por aqui?

– Luna Baker; 22/08/2016

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