Mulheres que não sabem chorar (Lilian Farias)

Gênero: Drama/ Romance LGBT
Páginas: 210
Editora: Giz Editorial

Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙/5

mulheres

SINOPSE

A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Enquanto isso, Ana e Verônica esbarram com o acaso.

Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Duas jovens livres e independentes. O que as impede de ficar juntas? Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você pensar não é a forma como você vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado.

(Danilo Barbosa – Autor de Arma de Vingança)

Encantada e embasbacada; É como ainda me encontro dias depois de ter lido esta obra.

Mulheres que não sabem chorar é, sobretudo, uma história sobre despir-se. São personagens que, ao desenrolar dos fatos, despem-se de preconceitos, padrões sociais e ilusões; para enfim serem expostos aos seus próprios medos e receios, num encontro há muito adiado com o espelho e com si mesmos.

Marisa e Olga, duas senhoras vizinhas, nutrem uma relação de puro ódio e barracos há mais de 20 anos. Contudo, algo muda quando têm a oportunidade de conhecer melhor uma a outra. A primeira, uma mulher que não aprendeu a amar e ao dar de cara com o temido amor, não sabia o que fazer, é altamente controladora e imperativa. Tanto na vida dela, do ex-marido, dos filhos, funcionários e trabalho; a necessidade de estar no controle simplesmente emana de cada poro do seu ser. Por outro lado, temos Olga; naturalmente sofrida, seu passado, presente e futuro parecem gritar apenas uma coisa: dor. E ela tenta esquecer seu primeiro amor, uma amiga da adolescência que acabara indo parar num sanatório extremamente abusivo à mando dos pais, depois de terem descoberto o romance das duas (claro que se tratava de uma anomalia mental garotas gostarem de garotas!), as surras que recebera da mãe, e o marido que a deixara, levando embora Maria, sua única filha, com o apoio de toda a vizinhança, no álcool. Olga se tornou dependente da bebida 24 horas por dia.

Mas, tirando os espinhos da rosa, Olga também é puro sentimento, pura entrega, puro amor. Ela é livre, embora teime em criar amarras que encarceram sua alma. Além de ser muito sábia e cheia de vivências e histórias para contar; por essas e outras, ela foi a minha personagem favorita.

“Era muito para eu entender que aquela mulher estava anestesiada pelas agressões da vida. Seu coração estava oprimido e, em algum lugar escuro, por mais que eu eu tentasse manter uma postura fria, parecia que suas palavras sempre tinham muito acolhimento misturado com dor e uma pitada de amor. Ela e seu sofrimento me levaram para a montanha-russa em que me recusei a entrar por cinquenta anos.”

– Pág. 84

À parte disso, temos Ana e Verônica, encontrando-se e desencontrando-se nas vielas da vida. Acresce Eleanor, Dulce, Cristina, Jailma, Fausta, Célia, Dinamite… Mulheres que, de alguma forma, tiveram seus destinos cruzados e uma coisa em comum: elas não aprenderam a chorar.

Por intermédio de uma narrativa ora bruta, ora poética, Lilian Farias expõe a realidade de diversas mulheres mundo afora, numa obra inspirada em relatos reais e tocando as feridas de nossa sociedade: ela fala de homossexualidade, violência sexual e doméstica, alcoolismo, imposição social, feminismo, bissexualidade, machismo e muito mais. Criei expectativas sobre esse livro desde o momento em que bati os olhos no título e, como raramente acontece, a obra conseguiu superar minhas expectativas. Cheia de provas para estudar e trabalhos para fazer, não consegui deixá-lo de lado e o devorei em dois dias.

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A história envolve de maneira tão intensa que, logo nas primeiras páginas, vi-me obrigada a parar e refletir acerca do relato da transexual Adriana Lohanna. Pouco depois, a cada nova cena ocorrida, eu pensava: não acredito que alguém tenha passado por tudo isso!” e o tapa vinha com força dupla. Sem dúvidas, uma leitura intoxicante e impactante.

Preciso dizer que Mulheres que não sabem chorar foi o primeiro romance entre mulheres que li; e é curioso que a quantidade de livros na temática LGBT nem se compara à quantidade de romances heterossexuais, mas a quantidade de romances Gays também é superior à quantidade de romances Lésbicos, infelizmente. David Levithan é uma prova disso! Também não posso deixar de elogiar a edição, que consta até com um poema de desfecho e um dicionário de flores (cada capítulo é iniciado por uma flor diferente)!

Numa sociedade que ensina a mulher a se calar, silenciar, se auto menosprezar e jamais se posicionar, gritar, esvaziar-se… O choro pode ser um ato de rebeldia. Eles nos querem de bocas, ouvidos e olhos tapados, no entanto, eu vos digo: Gritem. Chorem!

“Duvidam muito das mulheres, fazem piadas e nos chamam de sexo frágil. Mas quem já experimentou a força de uma mulher ferida sabe da dimensão da nossa astúcia.”

– Pág. 169

*O livro nos foi concedido em parceria com a autora.

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