#EntrevistandoAutores – Michelle Paranhos

A entrevistada de hoje é a escritora Michelle Paranhos! Para conferir a biografia dela, assim como a biografia dos demais autores participantes, basta clicar aqui.

michelleparanhosautora

CONTATO

Fanpage
Facebook
Skoob
Blog
Instagram
Twitter

Michelle Paranhos, além de ter escrito Mulato Velho, Ponto de Ressonância e seu novo romance Tsara, ela também publicou um romance biográfico acerca do universo particular de sua própria filha, Lorena, portadora de uma síndrome rara chamada Esclerose Tuberosa.

Vamos conhecer mais sobre o livro “Coisas de Lorena”, a autora e o mundo de sua filha?  😉

Antes de mais nada, parabéns pela coragem de escrever um livro tão pessoal sobre o universo particular de Lorena! A pergunta que não quer calar, é: Como foi a aceitação da menina, da família e dos profissionais que a acompanham (psicólogos etc.) em relação ao livro?

“Antes de responder a esta pergunta, gostaria de agradecer a oportunidade em falar com os seus leitores através dessa entrevista. Obrigada, Marcela!”, ela agradeceu gentilmente, antes de esclarecer a questão. “Bom,Lorena e meu filho Thiago – que estão juntos em muitas histórias do livro – não só sentiram-se orgulhosos como ajudaram bastante!”, revelou, alegremente.

“Uma das histórias, inclusive, foi meu filho quem percebeu a importância de um acontecimento e de que esse acontecimento deveria estar no livro, era importante… Foi um grande exercício de olhar as situações sob uma perspectiva de quem assiste de fora e muitas vezes redigi as histórias sob o efeito recente do ocorrido, para preservar as emoções.”, explanou. “O pai ficou mais reticente, porque por ser avesso à leitura (digo que nem tudo poderia ser perfeito! Meu marido não lê nada, muito menos o que eu escrevo! Vá entender!)”, a autora brincou antes de prosseguir. “(…) Ele achava que as pessoas poderiam entender as cenas/capítulos com preconceito, como se eu estivesse expondo a menina…”

“Então, as críticas começaram a chegar, as resenhas… Pessoas dizendo que amaram as histórias e ele começou a se envolver com o projeto!”, ela contou. “De tal forma, que são deles os brindes que acompanham o livro, feitos em biscuit. Hoje ele ama o projeto!” Em seguida complementou: “O Editor do livro, inclusive, apoia muito o projeto, mesmo sendo muito diferente dos livros que ele costumava publicar. Ele aprovou tanto a ideia que quando leu o original, antes mesmo do processo editorial, ele sugeriu um volume dois, com Lorena adolescente! Estou avaliando essa ideia com carinho!”

Michelle, saiba que aprovamos a sugestão da continuação do livro em 100%! Hahaha

Como surgiu a vontade de escrever e publicar uma obra sobre Lorena?

“Eu levava Lorena para a terapia todas as terças e quartas feitas e durante três longos anos, eu mantive essa rotina, passando a conhecer a maioria das mães da Saúde Escolar (onde ela fazia quatro terapias diferentes, todas voltadas para a educação).

Percebia como elas – as mães – murchavam em si mesmas, absorvidas pelas doenças de seus filhos. Elas passaram a viver para essas rotinas, e o semblante delas era triste, pesado, como se o véu da tristeza estivesse cobrindo seus olhos.”, declarou a lamentável realidade.

“Eu então tive a ideia de mostrar a elas uma outra face do problema. Os médicos, na sua praticidade, definem diagnósticos mas não dizem como viver com esses diagnósticos. Os terapeutas e médicos da saúde mental agem como ouvintes apenas, aplacando a dor de conviver com esses diagnósticos. Mas, quem fala que é possível não apenas sobreviver e sim viver com alegria mesmo com um doença séria na família? O que seria melhor do que ouvir de alguém que convive diariamente com um quadro semelhante, como encontrar alegria, risada e amor? Por isto o diagnóstico do quadro de Lorena e as implicações que as síndromes trouxeram a ela estão colocados no livro no apêndice apenas… Porque a doença não vem em primeiro lugar na vida dela e nem na minha, afinal, tenho uma das síndromes como ela, mas passo muitos dias sem nem mesmo lembrar dessa realidade. E estou aqui, escrevendo, compartilhando e vivendo plenamente – ainda que a doença permaneça. Ela não é maior do que eu.”

Quanto tempo em média durou o processo de criação do livro “Coisas de Lorena”?

“Eu levo em média 6 meses para escrever um livro e mais seis meses para fazer três revisões antes de enviá-lo para as etapas de processo editorial. No total cada livro leva em média um ano para ficar pronto. Algumas histórias do livro eram de quando ela era pequena e eu as publiquei na coluna homônima da página que tenho na rede social. Algumas eram de quando ela tinha apenas 7 anos. As histórias mais recentes eu escrevi ao longo do ano de 2015. Enfim, Coisas de Lorena foi gerado enquanto livro por um ano, mas o projeto iniciou-se há cinco anos.”

O que mais te motiva a escrever – não só este livro, como todos os outros?

“Uma história para contar. Eu tenho mais facilidade para me expressar através da palavra escrita, então acho mais fácil falar com os dedos! Gosto que meus livros acrescentem algo para os leitores, desvendem alguma realidade, modifique seu ponto de vista.”

Quais os escritores que mais te influenciam?

“Hermamm Hesse, Clarice Lispector, Lygia faguntes Telles, Ligia Bojunga, Érico Veríssimo e Luis Fernando Veríssimo…. Dentre tantos outros (ler é maravilhoso, não?)”

Totalmente maravilhoso!  ❤

Qual a mensagem principal que você quis passar através da obra?

“Quando uma situação parece insolúvel podemos modificá-la, mudando nossa perspectiva sobre ela. Essa lição eu precisei aprender na marra, foi difícil, foi muito doído… Mas eu aprendi a ver o universo de Lorena e o meu universo sob este olhar, o olhar do amor e da aceitação,s em acomodação. O olhar que aceita e que dá o tempo que é necessário para a vida se acomodar.”

O que você diria para mães que se encontram na mesma situação que você, com filhos especiais, tendo que enfrentar diversos obstáculos todos os dias em busca do melhor para eles?

“Cada um de nós é um mundo particular. Ninguém viverá as mesmas experiências do que nós, nem sentirá as mesmas alegrias e dores. Nem você, nem seu filho.

Porém, histórias como as de Lorena – uma história ainda em construção – dizem para a gente que por frações de segundos nossos mundos são capazes de se tocar e esse toque só é possível através do amor.

O amor só existe onde está a aceitação da singularidade desse Outro ser, diferente de nós…

Não apenas cuide de seu filho especial! Ame-o, leve-o para passear, tomar sorvete… E daí se ele tem uma forma diferente de segurar o sorvete e um pouco caia nas roupas? E se ele tiver uma crise convulsiva no meio do restaurante? Se ele estiver bem após voltar a si, porque não ficar mais alguns minutos até que ele se recupere e dependendo do caso, possa terminar a refeição interrompida?

Não é fácil! Mas é seu filho!

Conto uma experiência que tive com a Lorena:

Durante um Hasteamento da bandeira, Lorena teve uma crise de ausência e desmaiou. Estavam todas as crianças do grupo escoteiro em círculo no momento solene de hastear a bandeira Nacional, em absoluto em silêncio. As crianças permaneceram onde estavam e eu retirei a Lorena dali, com a ajuda de outro chefe.

Coloquei-a no banco deitada, esperando ela voltar a si. Quando ela voltou, após segundos, verifiquei que atitude tomar… A levei ao médico naquele dia.

No sábado seguinte, ela retornou para a reunião escoteira. As crianças vieram recebê-la e perguntaram se estava bem. Ela disse que sim!

Depois, em silêncio respeitoso, próprio do momento solene, ela Hasteou a bandeira ao lado dos seus “irmãos escoteiros” e em seguida foi para as atividades, brincando, correndo e pulando, sem alarde, sem medos desnecessários.

Essa é a conquista de uma criança aceita em sua singularidade – por mim, por ela, pelos adultos presentes no momento.

Ela não sofreu Bullying ali, ela foi acolhida. Essa é a diferença crucial.

Luto por um mundo em que isso possa se repetir em todos os lugares!

A aceitação não a impedirá de ter problemas, mas mostrará a ela que tem motivos para superá-los e ter uma vida feliz!

E uma vida feliz é aquilo que todos nós queremos!”

É com esta mensagem emocionante – aliás, a entrevista toda foi emocionante! – que concluímos o papo com a escritora Michelle Paranhos! Michelle, mais uma vez, parabenizamos-te pela coragem e pela força de vontade de lutar diariamente, ao lado de Lorena, para fazer do mundo um lugar melhor. Precisamos de mais pessoas assim. Desejamos a você e família toda felicidade, força e sucesso, que Lorena continue a encantar as pessoas, com o jeitinho único que só ela tem! Nós estamos do lado de vocês. E, claro, agradecemos a simpatia e o tempinho dedicado ao Devaneios da Lua!

Em breve traremos a resenha de “Coisas de Lorena”!  😉

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s