Teu silêncio

Mesmo que eu não fale, não demonstre e até nem queira admitir para mim mesma, o teu silêncio me afeta. Como a franja chata que cai inexoravelmente nos olhos. Como uma única espinha sapeca e enorme, que aparece em rostos jovens e ainda macios, bonitos, bem-cuidados, mas que não escapa de ninguém e não desaparece nem tão cedo, como se dissesse: “Sim, eu estou aqui. E sim, eu sei que não deveria estar.”

Eu costumava observar o comportamento de pessoas próximas quando estas se diziam apaixonadas. Era engraçado. Fofo. Irônico. Então eu pensava: jamais serei assim. Não queria ser dependente de alguém. Não queria que a minha felicidade dependesse da felicidade de alguém. Não queria ser desvendada e, sobretudo, não queria ser vulnerável. Mas certas coisas são inevitáveis.

A paixão traz consigo uma certa porção de trouxisse. Ao se apaixonar, seus muros caem, suas defesas se esgotam e você se torna vulnerável. Uma pessoa apaixonada é igualmente uma pessoa trouxa.

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Embora tente afirmar para mim mesma que não tem importância, eu sempre tento interpretar o teu silêncio de mil maneiras diferentes. Penso que você somente precisa de um tempo para si, mas logo em seguida percebo que não se trata apenas disso. Do que se trata? Não sei. Por isso ele é perigoso. Repito veementemente que não vou ligar, não vou olhar a caixa de mensagens a cada 5 minutos, não vou olhar suas redes sociais, não vou mandar milhares de perguntas para saber se você está bem ou o que houve com você. Mas, no fim, eu sempre acabo fazendo o que me obrigara mentalmente a não fazer. A verdade é que não consigo deixar para lá, não me importar… Porque quando gosto, gosto de verdade. E quando amo, amo intensamente.

E talvez esteja escrevendo essas palavras nas linhas chulas de uma página quase em branco porque gostaria de as estar falando diretamente a ti. Mas sabe o silêncio? Ele ainda está lá. E mesmo que queira, não serei eu a quebrá-lo. De qualquer forma, as palavras serão sempre minhas companheiras – a quem eu tudo confesso e confessarei.

Por fim, repito: O teu silêncio é tão perturbador. Dentre todas as pessoas que conheço, você concorre potencialmente ao cargo de a mais falante. Por isso, ver-te calado é assustador. Acho que prefiro mil vezes te ouvir falar sem parar ao pé do meu ouvido sobre qualquer coisa do que ter que conviver com a ausência de tuas palavras.

— Alasca Young, 29/09/16.

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