A cama, a chuva e os nossos desejos

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Teu corpo sob o meu, teus braços me envolviam tão quentes e aconchegantes. De frente para ti, minhas pernas envoltas de tua cintura, meus dedos adentrando por teus cabelos, enquanto tu penetravas-me, segurando-me em teus braços… Tuas unhas arranhando minhas costas nuas. Teus lábios encontrados nos meus, tão intensos e que pediam por mais. Passeava pelo teu corpo desnudo tão livremente. O desejo mútuo de entrega e paixão que ardia. Minha boca em quase cada parte de teu corpo, mordendo teu pescoço e orelha. Por cima de ti eu sentava e tu me apalpavas por inteira. Porque ali estávamos inteiros um para o outro. E novamente cada vez mais rápido e intenso te sentias dentro de mim. Naquele lugar que eu não o reconhecia bem, eu quis estar ali por muito tempo, naquela noite chuvosa, naquela cama, desejei morar em teus braços. 

— Luna Baker, 09/07/17.

Voe comigo se fores capaz de tirar os pés do chão

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Eu sou uma eterna viajante e minha casa é o mundo. Sou criança cheia de perguntas, e adulto com medo das respostas. Sou companhia que preenche, e ausência que esvazia. Sou arco-íris de início de manhã, e escuridão de pôr-do-sol. Sou dúvida e certeza, razão e emoção. Crise de risos e desmanche em lágrimas. Calmaria e tempestade. Gritaria e silêncio. Ferida e cicatriz, bala e baleado. Veneno e antídoto. Singular e plural. Destino e acaso. Céu e inferno, sensibilidade e frieza. Bravura e medo. Sonhos e realidade. Rosa e espinho. Mente e coração. Dissimulação e verdade crua. Problema e solução. Perspicácia e ingenuidade. Amor e sexo. Vida e morte. Tudo junto. Misturado. Ao mesmo tempo. Sou sobretudo pássaro em processo de revolução, livrando-se da gaiola. Então, meu bem, voe comigo se fores capaz de tirar os pés do chão.

— Alasca Young, 07/07/2017.

E ainda assim parte de mim

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Você tem o seu jeito, eu possuo as minhas fases que nem sempre são fáceis. Você tem os seus erros e desculpas, eu possuo as minhas falhas e dissimulações. Você tem sua determinação e tuas inseguranças repentinas, eu possuo a minha coragem e os meus medos. Eu acho que nunca fui tão imperfeita ou incompatível com alguém. E por motivos inexplicáveis eu ainda desejo estar com você. Eu estava pensando que só conseguimos enxergar o quanto somos diferentes, significa também o quanto somos parecidos e não vemos. O amor é uma das maiores façanhas da natureza humana, o mais corajoso dos sentimentos e ao mesmo tempo o mais miserável. Eu nunca imaginei que mesmo depois de tanto tempo tu ainda me amarias, tampouco que eu por ironia do destino pudesse tão inacreditavelmente sentir tanto… Eu sempre afirmo com veemência que nunca servi para o amor, o que é totalmente verdade. Porque há tantos anos e ainda nesse momento eu não sei como estar completamente apaixonada ou suspirando emoções como a maioria das pessoas. Eu nunca soube como me entregar completamente, eu perpetuamente estive com os pés no chão. Realista demais até mesmo para os teus romantismos surrealistas. E às vezes fria demais para tua sensibilidade. E você impaciente demais para o meu tempo tão maçante para aceitar o amor. Orgulhosa demais para aceitar tuas ponderações. Egoísta demais para dividir meus sonhos, dores e alegrias. Louca o suficiente para perdoar tuas inverdades. Minha demais para te pertencer. Conectada o suficiente para dizer adeus e tu puxar-me de volta. És emoção demais para minha razão. Raso demais para minha profundidade. Impulsiva demais para pensar no que dizer e você sonhador demais para pensar nas consequências. E ainda assim és tão parte de mim quanto eu sou de ti.

— Luna Baker, 13/06/2017.

Chiclete pra Guardar pra Depois (Andreia Evaristo)

Embora o título chamativo e singular do livro tenha enormemente me chamado a atenção e despertado minha curiosidade, não pesquisei mais a fundo sobre a obra antes de lê-la – medo de spoiler on! – e preferi deixar que a parceira Andreia Evaristo, através de Chiclete pra Guardar pra Depois, surpreendesse-me. E foi o que aconteceu com sucesso (missão dada, missão cumprida)!

Gênero: Crônica
Páginas: 118
Editora: Areia
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

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SINOPSE

“Chiclete pra Guardar pra Depois” (Editora Areia, 117 pág., 2016) reúne 37 crônicas nas quais a autora reflete sobre amadurecimento e sobre o mundo contemporâneo. Em tom quase de confissão, é como se Andreia abrisse seu diário para o leitor e dialogasse com ele sobre as agruras de crescer – principalmente para as meninas.” (Jornal A Notícia, 08/08/16)

A começar pelo gênero textual: crônica. O livro traz um acervo de 37 crônicas que retratam dramas da fase adulta, nostalgias da infância e adolescência e reflexões sobre a vida e o amadurecimento da autora, por meio de um eu-lírico com voz de adolescente liberta, mas com sabedoria de adulto – essas coisas que só se aprendem com o passar do tempo, mesmo que quando jovem a gente sempre ache que já sabe de tudo.

Os textos são permeados por um “quê” de desabafo e aceitação, como que expondo os personagens, a autora e principalmente a nós mesmos, os leitores. É difícil não se identificar, não se ver incrustado nas entrelinhas das crônicas que a Andreia sabiamente preparou para saborear o seu ouvinte.

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Apesar de curtinho, a grandeza deste livro é imensa! São 118 páginas que falam sobre tudo e ao mesmo tempo nada (o slogan do Blog, por sinal! Hahaha). O bom-humor é característica marcante da obra que, mesmo abordando muitos assuntos da atualidade, pode ser facilmente lida e interpretada por todas as idades.

“[…] no fundo não me sinto com 26 anos de idade. Sei lá, a minha mãe, aos 26, tinha uma casa, um fusca, três filhos e um marido. Eu nem tenho ainda uma bicicleta.” 
– Pág. 19

Por algum motivo, durante a leitura, Chiclete pra Guardar pra Depois me fez lembrar-se do livro “Felicidade Clandestina”, da rainha Clarice Lispector! Talvez por igualmente apresentar a felicidade e a sabedoria que moram nas coisas simples, pequenas, essas que normalmente passam despercebidas aos nossos olhos desatentos.

“Uma menina, de seus seis, sete anos de idade, volta da escola sozinha. A chuva não é capaz de atrapalhar-lhe os planos de ser feliz com sua sobrinha de arco-íris iluminando o dia. Nos pés a galocha vermelha que percorre uma a uma todas as poças de lama que encontra pelo caminho. Quando a água respinga, ela gargalha – e o barulho da sua alegria inunda meus ouvidos.”
– Pág. 111

Eu amei cada palavra, cada crônica, cada risada, cada identificação, cada arrepio (sim, eu fiquei arrepiada em alguns textos!) e cada reflexão que a leitura me proporcionou. E dentre os textos, alguns que me encantaram deveras e merecem destaque são:

*Não é culpa minha;
*Espelho, espelho meu, esconde a celulite que já cresceu;
*A sua realidade;
*Fantasmas do Natal;
*Jeito para essas coisas;
*Adultescência;
*Tudo que há para viver;
*Chiclete pra guardar pra depois;
*Tó;
*Um gato chamado felicidade;
*A virtualidade do amor;
*E ele voou;
*Dia dos mortos;
*Abandono;
*Retrato;
*Favoritices;
*Viva os professores medíocres!
*Nem todo aluno é medíocre, só a média!
*Não era questão de escolha;
*Chuva de setembro;
*Meu mundo caiu;
*E quando acaba, como você se sente?;

Para fazer um paralelo com a última crônica (E quando acaba, como você se sente?) não me vinham palavras suficientes para expressar tudo que senti e pensei após uma leitura sucinta e, ainda assim, arrebatadora.

“[…] eu sei, caro leitor, que você gostaria mesmo que a felicidade fosse um cachorro, mas infelizmente não é. Se fosse um cão, as coisas seriam muito mais fáceis – você estalaria os dedos, assobiaria chamando, e a felicidade viria correndo em sua direção, abanando o rabinho. Mas como eu já disse, a felicidade não é um cachorro.”
– Pág. 47

A edição é uma fofura, a fonte é agradável para leitura, sem falar nas duas ilustrações que são um amor! Além disso, não há dúvidas de que a obra faz jus ao título; é como um chiclete que gruda e você não consegue mais largar. É um livro para ler, reler, indicar e guardar pra depois.

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“[…] Mas o chiclete, esse aliviador de tensões e odores, essa borrachinha saborosa e perfumada, é o amor que entregamos aos amigos. Sim, porque entregar um chiclete pode ser uma atitude boba para um adulto. Mas para um adolescente é mais que isso, é a partilha, a amizade em pedacinho, é um pouquinho de amor, sim, pra guardar pra depois.”

Talvez eu realmente não sirva para essa confusão toda que chamam de amor

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Talvez eu realmente não sirva para essa confusão toda que chamam de amor. Talvez eu seja impulsiva demais, intensa demais e revolucionária demais para seguir regras – principalmente as “regras do amor”. Talvez eu não consiga encontrar uma cara metade, porque já sou inteira. Talvez eu seja egoísta demais para dividir minhas alegrias e sobretudo, minhas dores. Talvez eu preze demais pela minha liberdade para me prender a alguém ou alguma coisa. Talvez eu seja realista demais para deixar me tirarem os pés do chão. Talvez eu seja liberta demais para seguir padrões e manter status. Talvez eu me dê tão bem com minha própria solidão que não consiga mais largá-la. Talvez eu seja impaciente demais para esperar X número de encontros para ir direto ao ponto. Talvez eu seja ingênua demais para lidar com joguinhos psicológicos, distraída demais para perceber indiretas de paquera e indícios de sedução. Talvez eu canse fácil demais das pessoas, ou melhor, da monotonia que elas trazem. Talvez eu seja cega demais para enxergar algo além do meu próprio umbigo. Talvez, para mim, o “eu te amo” carregue pesos e expectativas demais, e talvez eu nunca saiba lidar com ele. Talvez eu tema tanto o amor que, afinal, ele esteja sempre batendo à minha porta.

— Alasca Young, 08/06/2017.

 

Teu silêncio

Mesmo que eu não fale, não demonstre e até nem queira admitir para mim mesma, o teu silêncio me afeta. Como a franja chata que cai inexoravelmente nos olhos. Como uma única espinha sapeca e enorme, que aparece em rostos jovens e ainda macios, bonitos, bem-cuidados, mas que não escapa de ninguém e não desaparece nem tão cedo, como se dissesse: “Sim, eu estou aqui. E sim, eu sei que não deveria estar.”

Eu costumava observar o comportamento de pessoas próximas quando estas se diziam apaixonadas. Era engraçado. Fofo. Irônico. Então eu pensava: jamais serei assim. Não queria ser dependente de alguém. Não queria que a minha felicidade dependesse da felicidade de alguém. Não queria ser desvendada e, sobretudo, não queria ser vulnerável. Mas certas coisas são inevitáveis.

A paixão traz consigo uma certa porção de trouxisse. Ao se apaixonar, seus muros caem, suas defesas se esgotam e você se torna vulnerável. Uma pessoa apaixonada é igualmente uma pessoa trouxa.

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Embora tente afirmar para mim mesma que não tem importância, eu sempre tento interpretar o teu silêncio de mil maneiras diferentes. Penso que você somente precisa de um tempo para si, mas logo em seguida percebo que não se trata apenas disso. Do que se trata? Não sei. Por isso ele é perigoso. Repito veementemente que não vou ligar, não vou olhar a caixa de mensagens a cada 5 minutos, não vou olhar suas redes sociais, não vou mandar milhares de perguntas para saber se você está bem ou o que houve com você. Mas, no fim, eu sempre acabo fazendo o que me obrigara mentalmente a não fazer. A verdade é que não consigo deixar para lá, não me importar… Porque quando gosto, gosto de verdade. E quando amo, amo intensamente.

E talvez esteja escrevendo essas palavras nas linhas chulas de uma página quase em branco porque gostaria de as estar falando diretamente a ti. Mas sabe o silêncio? Ele ainda está lá. E mesmo que queira, não serei eu a quebrá-lo. De qualquer forma, as palavras serão sempre minhas companheiras – a quem eu tudo confesso e confessarei.

Por fim, repito: O teu silêncio é tão perturbador. Dentre todas as pessoas que conheço, você concorre potencialmente ao cargo de a mais falante. Por isso, ver-te calado é assustador. Acho que prefiro mil vezes te ouvir falar sem parar ao pé do meu ouvido sobre qualquer coisa do que ter que conviver com a ausência de tuas palavras.

— Alasca Young, 29/09/16.

Deixe a neve cair (John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle)

Três contos natalinos que mesclam amor e a magia do Natal, contados pelos best-sellers John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle.

Gênero: Conto
Páginas: 336
Editora: Rocco
Classificação: 🌙 🌙 / 5

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SINOPSE

Na noite de natal, uma inesperada tempestade de neve transforma uma pequena cidade num inusitado refúgio romântico, do tipo que se vê apenas em filmes. Bem , mais ou menos. Porque ficar presa à noite dentro de um trem retido pela nevasca no meio do nada, apostar corrida com os amigos no frio congelante até a lanchonete mais próxima ou lidar sozinha com a tristeza da perda do namorado ideal não seriam momentos considerados românticos para quem espera encontrar o verdadeiro amor.

Mas os autores bestsellers John Green , Maureen Johnson e Lauren Myracle revelam a surpreendente magia do Natal nestes três hilários e encantadores contos de amor , interligados, com direito a romances, aventuras e beijos de tirar o fôlego.

O Expresso Jubileu, o primeiro conto, narrado pela escritora Maureen Johnson gira em torno de Jubileu, uma adolescente singular que precisa achar um jeito de ir para a casa dos avós depois que seus pais são presos e o trem que deveria levá-la para a Flórida, atola na neve. O percurso, além de muita neve, conta também com líderes de torcida altamente irritantes. Por isso, Jubileu decide ir para a única lanchonete aberta: Uma Waffle House. Lá ela encontra Stuart, justamente um rapaz que ainda não superou o coração partido por uma líder de torcida por quem era extremamente apaixonado. Com a ajuda de Stuart, Jubileu vai perceber que seu namorado, embora seja lindo, inteligente e gostoso, não é tão perfeito assim e que, na verdade, Jubileu e Stuart têm muito mais coisas em comum.

Narrado por John Green, o segundo conto, O Milagre da Torcida de Natal, apresenta Tobin, JP e Duke, três grandes amigos que aproveitam tranquilamente a véspera de Natal com direito à pipoca e maratona de filmes do James Bond. Até serem intimados por Keun, outro amigo, a comparecerem à Waffle House que ele administra, numa aventura contra o tempo e a neve.

Como fã assumida do John Green, imaginei que o conto dele claramente seria o meu preferido, no entanto, não consegui gostar de “O Milagre da Torcida de Natal” e acabei me decepcionando. Não senti que o conto tenha realmente uma história, trama, enredo… Foi algo bem superficial e “água com açúcar”. Além de certos personagens terem falas problemáticas e preconceituosas. Enfim, o conto não passa uma mensagem em si e a minha leitura acabou sendo arrastada, pois não me encantei com ele.

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Por último, temos O Santo Padroeiro dos Porcos, de Lauren Myracle, que traz uma garota dramática e egoísta chamada Addie como protagonista e sua mini jornada pós-Natal em busca de redenção e de provar que ela pode sim superar seu egoísmo nato. Addie, deixando a descrença de lado, quer reaver seu milagre de Natal e, para isso, precisa enfrentar seu passado e arcar com seus erros.

Outro conto do livro que não me agradara. Apesar de ter uma proposta interessante sobre redenção, os personagens não me cativaram, ainda mais em se tratando da protagonista – que eu achei bem chatinha e imatura. Ela passa boa parte da história apenas lamentando o término do namoro com Jeb, ao qual rompeu o relacionamento depois que Addie o traiu com um babaca qualquer.

Portanto, somente gostei do primeiro conto, O Expresso Jubileu, cujo qual li relativamente rápido, ao passo em que demorei mais de 1 mês para concluir a leitura dos outros dois. A única coisa que me chamou positivamente a atenção foi que os autores conseguiram interligar as histórias de uma forma bastante sutil e natural, mas, dentre todos os demais livros destes três best-sellers, eu não recomendaria “Deixe a neve cair”, por isso dei apenas 2/5 luas na classificação.