Perdição

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Busco; Mas não sei o quê.
Penso; Sobre tudo e ao mesmo tempo nada.
Caminho; Não me pergunte por onde!
Desejo; Sem descobrir ainda o objeto desejado.
Viajo pelas linhas tênues de minha própria razão,
Ansiando desesperadamente que a sensibilidade aflorada não me abandone.
Converso com o tempo e com ele
Choro,
Só (rio),
Brinco,
Danço,
Engano.
Derramo lágrimas de ouro e com elas, enriqueço,
Suportando o palpitar da saudade ininterrupta no peito doente.
Mergulho em mim mesmo e através de mim me afogo,
Perdendo-me no infinito de meu próprio
Eu,
Até que me ache…
Encontre…
E me perca novamente.

— Alasca Young, 17/08/17.

 

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Mil formas de te amar

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Amo-te como pássaro à procura de pólen.
Feito sol de início de manhã…
Amo-te sem saber como,
Por quê
Ou onde.
Amo-te sem ponto final
Apenas reticências…
Que me permitem amar-te mais!
Amo-te além da prisão do tempo e espaço
Além das montanhas
Além de mim mesma.
Amo-te por sobre datas,
Egoísmos…
Ilusões…
Amo-te através do olhar cortante da sabedoria
Debaixo da proteção dos deuses
Por intermédio do suspiro das estrelas.
Amo-te pelo tudo,
E por causa do nada: te amo.
Amo-te coloridamente…
Com a benção da escuridão.
Ao som da melodia do infinito.
Amo-te como resultado de equação impossível de ser resolvida.
Amo-te num conflito eterno entre razão e emoção!
Amo-te só porque te amo.
E à parte disso
Porque não poderia ser diferente.

— Alasca  Young, 03/08/17.

A frequência

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É necessário perder para se encontrar, é preciso morrer para de fato estar vivo. Entende? Porque morremos e nascemos todos os dias. Não é incrível que as células que compõem teu corpo amanhã não serão mais a mesmas? Isso significa que você também não será mais o mesmo. E todo dia é uma nova pessoa. Uma nova chance de se reinventar. Tudo está propenso a mudança, a evolução, pois a vida não foi feita para ser vivida em linha reta. Não foi feita para seguir conceitos decrépitos preestabelecidos. Como a vida pode ser em linha reta se a freqüência da batida de um coração não é? Em quantas frequências diferentes teu coração pode bater? Afinal, cada pessoa tem um universo interior, uma forma de sentir diferente, mesmo em sintonia, a frequência não é a mesma.

— Luna Baker, 08/08/2017.

“Eu não sei o que estou fazendo com a porra da minha vida”

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Eu não sei o que eu estou fazendo com a porra da minha vida — esta é a frase que eu tenho mais dito nos últimos tempos. Mas como vou saber o que está acontecendo, se nem mesmo sei o que exatamente quero? Está sendo cada dia mais difícil conviver com a montanha russa que gentilmente chamamos de vida. E o pior de tudo é que essa maldita montanha russa, sequer é emocionante. É chata e tediosa, e ainda assim seus trilhos não estão no lugar. Os cabos de aço se partem a cada nova viagem. Não se ouve nenhum grito, não há adrenalina, tampouco desespero, apenas o inexprimível silêncio interior, embora seja igualmente ensurdecedor, como o grito de uma criança faminta. Diria que também estou faminta, só não sei ao certo de quê. Tenho constantemente repetido para mim mesma que não são necessárias respostas para tudo, existem coisas que realmente ultrapassam qualquer entendimento. No entanto, o que fazer se a mente perturba nas longas madrugadas? O que fazer se quando passa da meia-noite somos todos um bando de miseráveis sedentos por algo que faça sentido? Uma mísera gota que faça sentir? Alguns choram, e outros derramam gotas de ódio… As putas na pista que anseiam que a noite seja curta, os poetas sofrendo de insônia, os bêbados caídos na estrada. No fim, ninguém está isento da maldita pergunta “como eu vim parar aqui?” E às vezes apenas desejando voltar.

— Luna Baker, 29/07/2017.

A cama, a chuva e os nossos desejos

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Teu corpo sob o meu, teus braços me envolviam tão quentes e aconchegantes. De frente para ti, minhas pernas envoltas de tua cintura, meus dedos adentrando por teus cabelos, enquanto tu penetravas-me, segurando-me em teus braços… Tuas unhas arranhando minhas costas nuas. Teus lábios encontrados nos meus, tão intensos e que pediam por mais. Passeava pelo teu corpo desnudo tão livremente. O desejo mútuo de entrega e paixão que ardia. Minha boca em quase cada parte de teu corpo, mordendo teu pescoço e orelha. Por cima de ti eu sentava e tu me apalpavas por inteira. Porque ali estávamos inteiros um para o outro. E novamente cada vez mais rápido e intenso te sentias dentro de mim. Naquele lugar que eu não o reconhecia bem, eu quis estar ali por muito tempo, naquela noite chuvosa, naquela cama, desejei morar em teus braços. 

— Luna Baker, 09/07/17.

Olá insônia, minha velha amiga

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Olá insônia, minha velha amiga

Nos encontramos mais uma vez

Sinto lhe dizer…

Mas não, não estou feliz com nosso reencontro

Você está sempre batendo à minha porta…

Mesmo quando eu já lhe disse adeus inúmeras vezes

Ainda que perpétua companheira,

Jamais odiei tanto alguém

Como odeio você.

Nunca desejei tanto me livrar de algo…

Como quero desesperadamente livrar-me de tuas garras infernais!

Olá insônia, minha velha amiga

És tão descarada e presunçosa,

Que só apareces quando eu mais preciso de sua inexistência

Quando eu mais quero focar em qualquer outra coisa…

Que não seja você.

Olá insônia, minha velha amiga

Bilhões de miseráveis humanos afora

E você tinha que escolher logo a minha mente perturbada para fazer morada?

— Alasca Young, 12/07/2017.

Voe comigo se fores capaz de tirar os pés do chão

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Eu sou uma eterna viajante e minha casa é o mundo. Sou criança cheia de perguntas, e adulto com medo das respostas. Sou companhia que preenche, e ausência que esvazia. Sou arco-íris de início de manhã, e escuridão de pôr-do-sol. Sou dúvida e certeza, razão e emoção. Crise de risos e desmanche em lágrimas. Calmaria e tempestade. Gritaria e silêncio. Ferida e cicatriz, bala e baleado. Veneno e antídoto. Singular e plural. Destino e acaso. Céu e inferno, sensibilidade e frieza. Bravura e medo. Sonhos e realidade. Rosa e espinho. Mente e coração. Dissimulação e verdade crua. Problema e solução. Perspicácia e ingenuidade. Amor e sexo. Vida e morte. Tudo junto. Misturado. Ao mesmo tempo. Sou sobretudo pássaro em processo de revolução, livrando-se da gaiola. Então, meu bem, voe comigo se fores capaz de tirar os pés do chão.

— Alasca Young, 07/07/2017.