Lavínia e a Árvore dos Tempos (Lucinei M. Campos)

Fadas: seres mágicos pequeninos, extremamente fofos, delicados e femininos, certo? ERRADO!

E se você ganhasse por um ano uma fada homem, rabugenta, que odeia humanos e usa uma peixeira no lugar da varinha mágica? Difícil, não? Pois é! Mas foi exatamente o que aconteceu com Lavínia, uma garotinha de 9, quase 10 anos.

Gênero: Fantasia/ Infanto-juvenil
Páginas: 236
Editora: Independente
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

LAVINIA_E_A_RVORE_DOS_TEMPOS_

SINOPSE

Lavínia é uma menina de 9, quase 10 anos, um pouquinho diferente das outras de sua idade. Sem amigos na escola, sem um contato maior com seus pais, leva uma vida muito solitária para alguém tão pequeno. Seu único amigo, Leo, é quem divide com ela os anseios e questionamentos de sua infância, suas arquitetadas fugas dos Valentões e Marrentinhas que a perseguem na escola. Tudo muda quando recebe de presente uma fada, chamado Lorivaldo e que odeia seres humanos. Juntos, vão descobrir a magia escondida no mundo e os segredos da Árvore dos Tempos.

Bullying. Valentões. Marrentinhas. Exclusão social. Falta de proximidade com os pais. Ausência de amigos. Pesar em ir à escola, ambiente fundamental na vida de qualquer criança e adolescente, que serve como base para determinar muita coisa em seu futuro… É neste contexto que Lavínia, uma garotinha doce, mas bastante solitária, está inserida. A diversão da menina é passar as tardes com seu único amigo e vizinho, Léo.

De repente, a vida da criança começa a mudar drasticamente a partir do momento em que é apresentada a Lorivaldo, a fada do sexo masculino que ganhara de presente! Presente inusitado, mas que vai lhe abrir as portas para o mundo da magia e iniciar sua jornada em busca de respostas sobre os seres ocultos que a cercam e, principalmente, sobre si mesma. Afinal, Lavínia não é uma humana qualquer. Existem mistérios que lhe envolvem e este é o motivo para a fada ter sido designada a acompanhá-la: a necessidade de protegê-la.

P1020868

Devido à sua crueldade com humanos durante séculos, Lorivaldo se vê diante de uma grande questão: aceitar a punição e viver ao lado de uma humana durante meses ou ser mandado para prisão perpétua, juntamente ao seu irmão, tão mau quanto ele? A primeira opção parece ser minimamente melhor, pois, quem sabe, se a humana morresse nesse meio tempo ele poderia enfim estar livre…

“Por que dariam uma fada que odeia humanos, e era odiada por quase todos, para uma criança? Lavínia tinha sua grande questão para resolver, que a cada instante tornava-se mais complexa que antes.”

Embora a protagonista seja Lavínia, Lorivaldo, com seu sotaque carregado e jeito rude e excêntrico, com toda certeza, rouba a cena! O carioca Lucinei M. Campos, em sua fantasia de estreia, soube dosar a história com muito humor e lições importantes, evidenciando as questões e personalidade forte das personagens. É interessante observar o desenrolar do convívio entre Lavínia, Lorivaldo e Léo – seu fiel companheiro – e aventurar-se na jornada desse trio.

Não obstante, o autor ainda mescla com acentuada naturalidade e maestria elementos da mitologia (ninfas, fadas, goblins, duendes…) com clássicos do nosso folclore brasileiro (curupira, boitatá…) resgatando nossas raízes e trazendo uma nostalgia incrível!

P1020871 (1)

O livro está sendo distribuído e trabalhado em algumas escolas e centro educativos, e não é difícil de imaginar o porquê. Além do leitor ser apresentado a uma amizade leal, bonita e verdadeira entre Léo e Lavínia, a garotinha e sua fada também nos fazem perceber o quanto todos nós somos singulares e diferentes e, ainda assim, tão parecidos. E apesar do fato de que, às vezes, achamos que estamos sós, na realidade não estamos e nunca estaremos.

“- Não deseje vingança! Retire isso do seu coração, porque vingança tem enormes consequências, além de ser uma perda de tempo e de poder fazer você ferir muitas pessoas que podem, na verdade, não lhe conhecer direito e por esta razão te excluir! Até porque, ninguém é desprezado por todos. Sempre terá alguém que desejará ficar com você, ou por simplesmente não lhe conhecer, não dirá nada. Você terá que descobrir isso! Perceba as pessoas a sua volta e não somente a dor que algumas lhe trazem! Assim, você vai deixar de querer vingança!” 

Particularmente, sou apaixonada pela capa e edição deste livro, que é seguido por “Lavínia e a Magia Proibida”.

À primeira vista, engana-se quem pensa que a série com a protagonista Lavínia é apenas infantil!

“Os humanos têm o costume de oferecer o primeiro pedaço de bolo a quem lhes desejam o bem, a quem lhes são muito gratos. E este, é o primeiro pedaço de bolo feito por meus pais, e eu ofereço a você.”

 

#EntrevistandoAutores – Lucinei M. Campos (O Mago Branco)

O entrevistado de hoje é o escritor Lucinei M. Campos! Para conferir a biografia dele, assim como a biografia dos demais autores participantes, basta clicar aqui.

lucineiautor

CONTATO

FACEBOOK
SKOOB
FANPAGE
TWITTER
INSTAGRAM
G+
Wattpad

Lucinei M. Campos, ou O Mago Branco, como é conhecido, é professor e escritor de alma e profissão. Autor de Lavínia e a Árvore dos Tempos, Lavínia e a Magia Proibida e Violeta não Sabe Amar.

Vamos conhecê-lo um pouquinho mais? 😉

Primeiramente, meus parabéns pela obra tão leve e, ao mesmo tempo, envolvente! Em segundo lugar, como você se descobriu escritor?

“Eu sempre amei criar.”, decretou o autor. “Quando mais jovem, cantava em uma banda com letras próprias, e antes disso, desenhava quadrinhos. Eu já era voltado para a criação e domínio que um autor julga ter sobre suas ideias. No entanto, eu comecei a escrever meu primeiro livro sério mesmo com uns catorze anos de idade, e levei 3 anos para acabar. Como ele ficou muito grande, só alguns fizeram a sua leitura. Mas, desde o momento em que tive o contato com a literatura, eu sabia que devia deixar algo como legado.”

Como surgiu a ideia principal para os livros da série com a personagem Lavínia? E de onde você tirou inspiração para criá-la?

“Desde o princípio, a ideia era brincar com o nosso folclore e as diferenças regionais do nosso país. Eu amei o Lorivaldo desde o início das primeiras páginas. Daí, veio o amadurecimento do projeto e algumas alterações necessárias para se adequar ao enredo e ao público, já que era uma história de fantasia com pitadas de humor e aventura. A inspiração, em primeiro lugar, veio de mim mesmo.”, revelou. “Sim, a Lavínia meio que sofre quase as mesmas coisas que eu sofri quando mais novo. Eu desejava ter poderes ou mesmo uma fada para me livrar dos garotos marrentos e perseguidores, e como não aconteceu, eu tive de criar em minha mente mesmo.”

Não pude deixar de notar que, na composição do livro “Lavínia e a Árvore dos Tempos”, a presença de elementos fundamentais da nossa cultura, como o folclore, por exemplo, foi algo bastante utilizado. Para você, por que é tão importante resgatar nossas raízes e passá-las adiante?

“Folclore é o conjunto de manifestações artísticas de um povo, um legado que não se pode perder, mesmo quando agregado a outros costumes e crenças.”, explanou, antes de prosseguir. “Recebemos informações e incorporamos outras culturas sem nem saber direito as que temos aqui. Eu adoro o nosso folclore e seus personagens. Há tantos que as mitologias grega e nórdica ficariam diminutas frente a eles. Com o passar dos anos, deixamos de explorar as lendas e histórias nacionais, permitindo que elas se percam ou se adaptem ao cotidiano, sem deixar rastros do que foi. Por essa razão, creio que seja algo de responsabilidade nacional preservá-las e repassá-las.”

Quais escritores mais te influenciaram em sua jornada como escritor?

“Confesso que bebi da fonte de Douglas Adams, Chuck Palahniuk, entre outros. E mesmo que quisesse, na época em que comecei a consumir literatura nacional, não encontrei muito sobre fantasia que me agradasse. Mas cito alguns autores da atualidade, como Jeferson Corrêa e Eduardo Spohr.”

Embora se trate de uma ficção, fica evidente que alguns personagens do livro são inspirados em pessoas reais, como a sua esposa e o seu filho, proporcionando-lhes uma bonita homenagem! Todos os seus personagens são baseados em pessoas reais e/ou próximas?

“Hum… Em princípio, são todos um fragmento meu.”, disse ele. “Seja um estado emocional ou mesmo um período da minha vida. Mas, claro que adoro colocar algumas características pessoais de amigos e mesmo estranhos neles. Eu criei o Lorivaldo pensando em mim, quando estou rabugento (risos). E o Léo, quando eu era mais novo e curioso…”

E por falar no Lorivaldo…

O que mais me chamou atenção, com toda certeza, foi o personagem Lorivaldo – um homem fada rabugento, que odeia humanos e usa uma peixeira no lugar de uma varinha! – e me rendeu boas gargalhadas! Fale-nos um pouco mais sobre esse personagem, como ele surgiu e o que ele representa para você!

“Ele surgiu pra mim justamente por sua diferença ao que consideramos “normal”.”, contou. “O Brasil é um país continental, do qual temos ricas manifestações culturais. Adorei a ideia de trabalhar justamente isso; Tenho leitores jovens que me perguntam o que é uma peixeira, o que é um cangaceiro, e acabo passando um leve momento de uma cultura que muitas vezes esquecemos. E, como havia dito, ele me representa. Sabe aquela falta de paciência, aquele humor ácido que despertamos em alguns momentos de nossas vidas? (Sabemos muito bem! Hahaha). É o Lorivaldo. Ele tem uma razão própria para pensar e agir assim e, se formos estudar isso, acho que até daremos razão a ele, mais um massacrado pela vida.”

Além de escritor, você também é professor e tem uma clara ligação com todo universo escolar… Na sua concepção, qual o papel da leitura na educação e aprendizado de crianças e adolescentes? Além disso, possui algum projeto futuro em mente? Conta para gente!

“Eu sou professor da rede pública estadual, e vejo a carência que nós temos a cada ano com relação aos investimentos na educação, a falta de incentivo à leitura, por exemplo, que além de possibilitar maior comunicação e interpretação de textos, é também uma fuga para um mundo só nosso.”, disse sabiamente o autor. “Os livros da série Lavínia têm sido trabalhados em algumas escolas, inclusive como paradidáticos, e tenho notado esse crescimento em alguns alunos, a partir do contato com eles. Além da reflexão com base na temática que os cerca e na história que eles contam, os livros abrem portas para plantar e fortalecer a sementinha pelo gosto da leitura. Alguns alunos não param mais depois de lerem os livros.”

“Quanto aos projetos, eu tenho alguns, sim. Quero continuar fazendo a visitação nas escolas e levar meus livros para diversas feiras pelo país. Tenho outros livros para serem publicados, dentre eles mais um título da série Lavínia. Estou preparando o livro também para uma adaptação de animação, mas é algo mais pra frente.”

Genial a ideia da adaptação para uma futura animação, já adoramos! rs

Ao autor, desejamos todo sucesso e criatividade do mundo! Obrigada por dedicar um tempinho ao Devaneios da Lua!  ❤

Em breve traremos a resenha de “Lavínia e a Árvore dos Tempos”, primeiro livro da série com a personagem Lavínia, é só ficar ligado!  😉

Inocência Perdida (A Saga de Um Pintor) – P. M. Mariano

Pesado. Ácido. Impactante… Eu poderia prosseguir com vários adjetivos sobre este livro, mas, ainda assim, não seriam suficientes para defini-lo.

Gênero: Drama/Romance
Páginas: 316
Editora: Drago Editorial
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

A_SAGA_DE_UM_PINTOR_

SINOPSE

Até onde vai a crueldade humana?
Felipe sentiria na alma e no corpo que tudo não é apenas carinho e amor. Após descobrir que tinha uma família, viu que os anos passados no abrigo São Marcos, foram os melhores de sua vida. E que a felicidade que tanto desejava em família, era ilusória e, aos poucos, descobre que a vida não é tão simples, e que até mesmo entre famílias existem monstros.
Aos onze anos sentia na pele a violência e a crueldade daquele que deveria amá-lo e protegê-lo.
O que poderia fazer, se a vida de seu irmão dependia de ele aceitar os caprichos de uma mente doentia? Como fugir do monstro que vivia a seu lado?
Esta é a história de um menino que tinha rosto de anjo, mas viveu um inferno na vida.

Felipe era um órfão que vivia com seus amigos num abrigo comandado por padres, o orfanato São Marcos. Ele jamais conhecera sua família e sentia no peito, todos os dias, a solidão e a falta que esta fazia. Assim como as demais crianças do lugar, tudo que Felipe queria era um lar. Uma família de verdade. Ele queria ter uma vida “normal”.

Somente após 11 anos, o menino acaba descobrindo que tem um irmão gêmeo e, melhor ainda, uma família. A conexão que sentira com Tobias desde o primeiro momento que o vira fora tão intensa e verdadeira que nem mesmo a limitação verbal e auditiva de seu irmão gêmeo foi capaz de interrompê-la. Seu maior sonho supostamente, estava prestes a ser realizado.

Ele teria, finalmente, um lar.

O menino só não esperava encontrar um monstro no lugar do seu pai e dor e sofrimento no lugar que deveria ser ocupado pelo carinho e amor familiar. Quem imaginaria que Carlos Fabio, um dos maiores empresários do país, seria também um maníaco pedófilo? Como uma figura tão importante poderia estar envolvida em escândalos que, se descobertos, teriam potencial suficiente para lhe render prisão perpétua? Que pensamentos doentios estariam por trás de seu sorriso perverso? Por fim: Quão cruel um homem pode ser com seu próprio filho?

inocenciaperdida

Inocência Perdida não é só mais um livro qualquer. Não é só mais uma história dramática. É um grito de guerra, um alarme de perigo, um aviso claro: precisamos cuidar de nossas crianças e adolescentes. Até quando a sociedade continuará fechando os olhos para abuso sexual, prostituição e exploração infantil?!

“Felipe calou-se olhando aos macacos que se agitavam na jaula, eufóricos, gritando, como se pedissem que fossem soltos. Era assim que ele se sentia, preso ao pai, irremediavelmente atado aos desejos dele. Repentinamente, engoliu em seco, tentando controlar-se e não explodir num choro desesperado.”

Eu adoro ler livros com temáticas voltadas para questões sociais, aqueles que têm uma pontada de militância e certa dose de drama, no entanto, é preciso dizer que a leitura deste livro não fora nem um pouco fácil! Afinal, este primeiro livro da Saga de um Pintor é sem dúvidas um dos livros mais pesados que já li, devido ao tema delicado e a riqueza de detalhes e de cenas fortes. Mais uma vez, parabenizo a autora Priscila Marcia Mariano pela coragem! Inúmeras vezes durante a leitura me peguei pensando no quanto de estômago deve-se ter para escrever cenas tão hediondas… Mas pior ainda é perceber que tais cenas são constantes no cotidiano de milhares de crianças. Menos da metade desses casos são descobertos e/ou denunciados. E quando a denúncia ocorre, a justiça brasileira é lenta e não dá a devida atenção. Ainda mais quando os escândalos envolvem figuras famosas e influentes – os casos são rapidamente abafados.

 É extremamente lamentável quando quem mais deveria te proteger e amar é a pessoa que mais te machuca. Da pior forma possível. Felipe é uma criança dócil, gentil, carinhosa e amorosa, porém verá sua vida ir do céu ao inferno num piscar de olhos assim que conhece Carlos Fabio. Embora seja emocionalmente forte, o garoto é gradualmente destruído por dentro e suporta tudo em silêncio em nome de seu irmão gêmeo Tobias, para preservá-lo; A última coisa que Felipe queria era que seu irmão sofresse o que ele sofreu nas mãos do pai.

“Você me destruiu… Mas eu vou destruir a você meu pai”.

O inevitável desejo de vingança surge e a cada novo capítulo o livro vai tomando um rumo surpreendente e de tirar o fôlego! Todos os méritos à autora, tanto na escrita quanto na militância. Com exceção de alguns errinhos de revisão gramatical, a edição está bastante agradável para leitura. A começar pela capa – com tons bastante pertinentes de preto e vermelho que já deixam claro o teor da obra.

Inocência Perdida é o primeiro livro de uma saga e não vejo a hora de descobrir que rumo Felipe levará nas próximas obras!

Eis aqui um livro mais que recomendado, porém, cuidado: É preciso estômago!

 

Chiclete pra Guardar pra Depois (Andreia Evaristo)

Embora o título chamativo e singular do livro tenha enormemente me chamado a atenção e despertado minha curiosidade, não pesquisei mais a fundo sobre a obra antes de lê-la – medo de spoiler on! – e preferi deixar que a parceira Andreia Evaristo, através de Chiclete pra Guardar pra Depois, surpreendesse-me. E foi o que aconteceu com sucesso (missão dada, missão cumprida)!

Gênero: Crônica
Páginas: 118
Editora: Areia
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

CHICLETE_PARA_GUARDAR_PARA_DEP_1482512492637857SK1482512492B

SINOPSE

“Chiclete pra Guardar pra Depois” (Editora Areia, 117 pág., 2016) reúne 37 crônicas nas quais a autora reflete sobre amadurecimento e sobre o mundo contemporâneo. Em tom quase de confissão, é como se Andreia abrisse seu diário para o leitor e dialogasse com ele sobre as agruras de crescer – principalmente para as meninas.” (Jornal A Notícia, 08/08/16)

A começar pelo gênero textual: crônica. O livro traz um acervo de 37 crônicas que retratam dramas da fase adulta, nostalgias da infância e adolescência e reflexões sobre a vida e o amadurecimento da autora, por meio de um eu-lírico com voz de adolescente liberta, mas com sabedoria de adulto – essas coisas que só se aprendem com o passar do tempo, mesmo que quando jovem a gente sempre ache que já sabe de tudo.

Os textos são permeados por um “quê” de desabafo e aceitação, como que expondo os personagens, a autora e principalmente a nós mesmos, os leitores. É difícil não se identificar, não se ver incrustado nas entrelinhas das crônicas que a Andreia sabiamente preparou para saborear o seu ouvinte.

IMG-20170605-WA0031

Apesar de curtinho, a grandeza deste livro é imensa! São 118 páginas que falam sobre tudo e ao mesmo tempo nada (o slogan do Blog, por sinal! Hahaha). O bom-humor é característica marcante da obra que, mesmo abordando muitos assuntos da atualidade, pode ser facilmente lida e interpretada por todas as idades.

“[…] no fundo não me sinto com 26 anos de idade. Sei lá, a minha mãe, aos 26, tinha uma casa, um fusca, três filhos e um marido. Eu nem tenho ainda uma bicicleta.” 
– Pág. 19

Por algum motivo, durante a leitura, Chiclete pra Guardar pra Depois me fez lembrar-se do livro “Felicidade Clandestina”, da rainha Clarice Lispector! Talvez por igualmente apresentar a felicidade e a sabedoria que moram nas coisas simples, pequenas, essas que normalmente passam despercebidas aos nossos olhos desatentos.

“Uma menina, de seus seis, sete anos de idade, volta da escola sozinha. A chuva não é capaz de atrapalhar-lhe os planos de ser feliz com sua sobrinha de arco-íris iluminando o dia. Nos pés a galocha vermelha que percorre uma a uma todas as poças de lama que encontra pelo caminho. Quando a água respinga, ela gargalha – e o barulho da sua alegria inunda meus ouvidos.”
– Pág. 111

Eu amei cada palavra, cada crônica, cada risada, cada identificação, cada arrepio (sim, eu fiquei arrepiada em alguns textos!) e cada reflexão que a leitura me proporcionou. E dentre os textos, alguns que me encantaram deveras e merecem destaque são:

*Não é culpa minha;
*Espelho, espelho meu, esconde a celulite que já cresceu;
*A sua realidade;
*Fantasmas do Natal;
*Jeito para essas coisas;
*Adultescência;
*Tudo que há para viver;
*Chiclete pra guardar pra depois;
*Tó;
*Um gato chamado felicidade;
*A virtualidade do amor;
*E ele voou;
*Dia dos mortos;
*Abandono;
*Retrato;
*Favoritices;
*Viva os professores medíocres!
*Nem todo aluno é medíocre, só a média!
*Não era questão de escolha;
*Chuva de setembro;
*Meu mundo caiu;
*E quando acaba, como você se sente?;

Para fazer um paralelo com a última crônica (E quando acaba, como você se sente?) não me vinham palavras suficientes para expressar tudo que senti e pensei após uma leitura sucinta e, ainda assim, arrebatadora.

“[…] eu sei, caro leitor, que você gostaria mesmo que a felicidade fosse um cachorro, mas infelizmente não é. Se fosse um cão, as coisas seriam muito mais fáceis – você estalaria os dedos, assobiaria chamando, e a felicidade viria correndo em sua direção, abanando o rabinho. Mas como eu já disse, a felicidade não é um cachorro.”
– Pág. 47

A edição é uma fofura, a fonte é agradável para leitura, sem falar nas duas ilustrações que são um amor! Além disso, não há dúvidas de que a obra faz jus ao título; é como um chiclete que gruda e você não consegue mais largar. É um livro para ler, reler, indicar e guardar pra depois.

IMG-20170605-WA0023

“[…] Mas o chiclete, esse aliviador de tensões e odores, essa borrachinha saborosa e perfumada, é o amor que entregamos aos amigos. Sim, porque entregar um chiclete pode ser uma atitude boba para um adulto. Mas para um adolescente é mais que isso, é a partilha, a amizade em pedacinho, é um pouquinho de amor, sim, pra guardar pra depois.”

#EntrevistandoAutores – P. M. Mariano

A entrevistada de hoje é a escritora Priscila Marcia Mariano! Para conferir a biografia dela, assim como a biografia dos demais autores participantes, basta clicar aqui.

p-m-mariano-e1497227257853.jpg

CONTATO

FACEBOOK
SKOOB
FANPAGE
TWITTER
INSTAGRAM
G+
Wattpad

Blog

A Priscila Marcia Mariano costumava escrever apenas fantasias, até que, ao inciar um novo livro e deixar que a história se desenrolasse, a autora se deparou com um drama intoxicante, Inocência Perdida, primeiro livro da Saga de Um Pintor!

Vamos conhecê-la um pouquinho mais? 😉

Primeiramente, nossos sinceros parabéns pela coragem em se aventurar por um tema tão pesado e delicado quanto a pedofilia e o abuso e exploração de crianças e adolescentes! Segundo, como surgiu a vontade de escrever A Saga de Um Pintor?

“Eu mesma não sei, foi de repente.”, revelou a autora. “Na verdade a ideia surgiu do nada, comecei a escrever o início sem saber no que ia dar. Até pensei de imediato que seria mais uma fantasia, como sempre faço, meus livros vêm aos poucos enquanto escrevo. Mas então a história mudou completamente e percebendo o conteúdo dela, resolvi que precisava fazer uma pesquisa para ser verdadeira no tocante ao assunto, não em relação ao drama. Então A Saga de um Pintor surgiu.”

Escrever a história de Felipe, em toda sua complexidade, claramente não foi tarefa nada fácil: Houve algum momento em que pensou em desistir? Se sim, o que te motivou a prosseguir com a jornada do garoto?

“Foi bem difícil sim e não tive vontade de desistir em nenhuma fase da história, apesar das cenas fortes que muita das vezes me davam nojo e raiva, mas sei que estes fatos acontecem em muitas das casas no Brasil e no Mundo. E foi por isto que persisti na história. Uma maneira de demonstrar o que realmente é a dor e agonia de uma criança e ou adolescente, abusada. Tem que colocar a aberto para todos.”

Quanto tempo em média, entre o processo de pesquisa e escrita, você levou para concluir a obra Inocência Perdida? Os demais livros da série já estão concluídos?

“Bem, Inocência Perdida, como foi o primeiro, levou mais tempo por causa da pesquisa. Tive que elaborar toda uma trama com fatos que realmente acontecem no dia a dia de vários jovens. Minha pesquisa foi em cima de séries que assistia, relato de assistentes sociais e psicólogos que me deram um apanhado do assunto e algumas entrevistas, com adultos que sofreram abuso na infância.”, explicou. “Levou seis meses para estar concluído. São quatro volumes e todos estão completos. O segundo volume, Doce Ilusão, já se encontra em processo de publicação pela Drago Editorial. Iniciei a Saga de um Pintor em 2011 e terminei em 2013.”

“Ela ficou engavetada por dois anos e em 2015 tive a coragem e a força de amigos e familiares para publicar o primeiro volume.”

O livro evidentemente possui diversas cenas fortes, na sua concepção, qual delas foi a mais difícil de escrever?

“Todas as cenas foram difíceis de escrever…”, refletiu, antes de continuar:

ALERTA DE SPOILER

“(…) mas a que mais me marcou foi a cena que Felipe se entrega ao pai, no acampamento, fugindo da polícia.”

Falar de pedofilia e exploração de crianças e adolescentes é falar da infeliz realidade de milhões de jovens afora. Em sua opinião, o que deveria ser feito para mudar essa situação? E por que esses casos são tão comuns?

“Acredito que o mais importante seria uma atenção mais acentuada sobre educação para a família e a sociedade, explicando os efeitos que o abuso acarreta em todos que vivem esta agonia. Leis mais rigorosas contra aqueles que o praticam… Dizem que o pedófilo é doente, mas nem todos podem ser considerados doentes, existem homens e mulheres que são ruins. Aqui coloco mulheres, porque não só homens são pedófilos. São em menor número, mas existem.”, concluiu. “E em relação à família, deve-se prestar atenção máxima nas crianças e se perceber algo diferente, providenciar uma pesquisa mais apurada dos fatos, não coagindo a criança, mas tentando ajuda-la através de psicólogos que são o melhor caminho. Sem falar de professores e agentes de saúde.”

“E por que estes casos são tão comuns? Porque as famílias são falhas… Têm receio da repercussão que este acontecimento pode acarretar para todos. Uma mãe desconfia de sua filha/filho em relação ao pai, irmão ou tio, ou qualquer outro indivíduo… Mas não quer aceitar a realidade dentro da sua própria família. Os pais podem até mesmo dizer que o filho/filha é culpado do que aconteceu. São dramas que eles não querem ter na vida deles. Infelizmente, como está descrito, a pedofilia é tabu e ninguém quer ter a família jogada na lama por causa disto. Sem contar que os abusados, em muitas ocasiões, preferem ficar calados a dizer o que estão passando, com receio do que pode lhes acontecer, é como estarem em um pesadelo contínuo…”, declarou sabiamente a escritora.

Como você se descobriu escritora? E o que você diria para autores que, assim como você, querem abordar temas polêmicos, no entanto, ainda sentem receio quanto à aceitação dos leitores?

“Na realidade, sempre fui contadora de histórias… Antes mesmo de ser alfabetizada, já contava histórias para os meus amiguinhos de brincadeira. Aos sete anos fazia cineminha com papelotes e cobrava um doce para aqueles que assistiam, enquanto eu contava uma história mirabolante, inventada na hora.”, disse ela, esbanjando fofura! “Minha primeira vez como escritora foi aos dez anos quando fiz o meu primeiro poema. Logo depois, fiz a primeira história de fantasia, mesclando minhas ideias com um filme que vi. Já nesta época, lia bastante, desde revistinhas a livros e jornais. Adorava ler, pegava qualquer leitura que me chegava às mãos. Na escola, ficava mais no ar do que assistia aula… Vivia sonhando acordada. Foram anos onde vários manuscritos foram elaborados e guardados, pois apesar de não ter condições de publicar minhas histórias, nunca desisti de escrever. Sempre escrevi para o publico infanto-juvenil e adulto jovem, livros de ficção/fantasia. Somente em 2009 publiquei meus primeiros livros, Um Mistério na Serra do Mar e Rino, o Guerreiro Alado.

“Em 2011 fiz o meu primeiro romance/drama – A Saga de um Pintor – e em 2015 publiquei o primeiro volume da saga – Inocência Perdida – na Drago Editorial. Hoje tenho vários livros publicados no Amazon.com, no Clube de Autores e Wattpad.”

Quanto aos temas polêmicos…

“Abordar um tema polêmico é difícil, principalmente, porque deve ser verossímil. Baseado em pesquisas reais e bem elaborado. Não se deve levar ao público àqueles que serão abordados na história, a não ser que a pessoa em questão consentir ou se for uma biografia consentida. Deve-se ter em mente que há uma necessidade de pesquisa sobre o assunto e de tudo que envolve a história (locais, famílias, regiões e país). No meu caso, o livro é uma ficção, pois Felipe e sua família, e todos os envolvidos são fictícios. Porém as reações psicológicas vistas em Felipe são verdadeiras e trabalhadas de acordo com seus sentimentos. Foi muito duro escrever as cenas de abuso. Várias foram as ocasiões, após o termino de Inocência Perdida, em que eu discutia comigo mesma e com amigos, sobre a permanência das cenas chocantes, mas cheguei a conclusão de que havia necessidade delas para a compreensão do que iria acontecer a Felipe nos livros vindouros. Quem, realmente, se propõe a escrever um livro que sabe que chocará o publico, deve estar ciente de que ouvirá tanto palavras positivas, como negativas. Não podem deixar com que isto os faça desistir, se as razões para o que está escrevendo, são para alertar ou deixar visível ao publico, a sociedade, a verdade por baixo dos panos.”, aconselhou. “Por isto os temas como pedofilia, política, religião, prostituição e outros, são motivos de muita polêmica e discussão. Mas se você, escritor, tem coragem e acha que o que escreveu é o certo, vá em frente e descortine a verdade aos olhos daqueles que se fazem de cegos.”

Por fim, conta para gente… Já está pensando em projetos futuros?

“Projetos futuros?! São vários…”, introduziu.

“Para início estou revisando o terceiro volume da Saga de um PintorGotas de Fel – que pretendo publicar em 2017. E ainda em 2016 saiu o segundo volume da Saga de um Pintor – Doce Ilusão – na Bienal do Rio de Janeiro. Também espero resposta da Editora Darkside sobre o meu original A Luz e a Escuridão que é um livro de ficção/fantasia/distopia. Estou revisando o primeiro volume de Guerra Entre MundosTerra – para eventual publicação e partindo para o segundo volume da obra sem definição de subtítulo ainda. E tenho alguns inícios de outras histórias sem títulos. E por último, pretendo publicar minhas histórias engavetadas, por mais de quarenta anos, no Clube de Autores e no Wattpad para que estejam à disposição daqueles que gostam de ler.”

Por fim, a Priscila ainda deixa um recado super fofo:

“Espero que todos encontrem dentro de um livro o sentimento de sonhar e viver uma aventura para além da imaginação, sem esquecer que as palavras são o que fazem a humanidade caminhar pelo conhecimento e desenvolver um raciocínio para a desafiadora crítica do bem viver… Lembre-se que a Cultura é tudo para uma sociedade em crescimento”.

E essa foi a entrevista!

À autora, desejamos todo sucesso e criatividade do mundo! Obrigada por dedicar um tempinho ao Devaneios da Lua!  ❤

Em breve traremos a resenha de “Inocência Perdida”, primeiro livro da Saga de Um Pintor, é só ficar ligado!  😉

Apenas Respire (Rossana Almeida Cantarelli) – Book Tour 2017

E quem nunca teve uma paixão adolescente? Quem nunca se apaixonou por algum ídolo da música? Quem nunca se imaginou conhecendo os integrantes de sua banda favorita?

Gênero: Romance
Páginas: 346
Editora: Multifoco
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

APENAS_RESPIRE_1466784317593042SK1466784317B

SINOPSE

Isabela Alencar é uma mulher jovem, independente e apaixonada por música. Na adolescência, seu irmão mais velho lhe apresentou às bandas de heavy metal. Após conhecer a banda Dawn Sunless e ser capturada pelo som da guitarra, decidiu estudar o instrumento.

Já adulta, morando no Rio de Janeiro e trabalhando na Assessora Jurídica da Marinha, vê sua vida ser marcada por uma tragédia. Decide, então, largar a carreira jurídica e dedicar-se à docência numa faculdade de música do Rio.

A partir daí, sempre apoiada pelos amigos Mila e Frederico, Isabela verá sua vida mudar completamente, com a aceitação da Dawn Sunless para sua pesquisa de doutorado.

Ela embarca para Nova Iorque para passar três meses no estúdio com a banda. Chegando lá, conhece pessoalmente seu ídolo, o guitarrista Luc Bellucce.

Com sinais sutis, tem início um despertar de sentimentos provocados por sensações intensas. Uma paixão que ela jamais pensou em viver novamente.

Aos 31 anos, Isabela Alencar, uma mulher independente, forte e decidida, vê sua tão planejada estabilidade ir por água abaixo após receber o “sim” que ela tanto queria de sua banda de rock preferida, a Dawn Sunless. Embora sua grande paixão sempre tivesse sido a música, influenciada pelos pais, Isabela se formou em Direito – afinal, viver de música seria arriscado demais – e atuou na área jurídica da Marinha Brasileira, até uma tragédia mudar o rumo de sua vida e fazê-la se dedicar totalmente à música. Agora trabalhando na docência de uma faculdade do Rio de Janeiro, além de produtora musical Brasileira e pesquisando a fundo a guitarra, instrumento que mais lhe fascinava, ela embarca para Nova Iorque a fim de passar três meses no estúdio com a Dawn Sunless, para estudá-los em prol de sua tese de doutorado.

Não só uma oportunidade de embasar e concluir sua tese para a Faculdade e alavancar sua carreira; Isabela ficaria frente a frente com Luc Bellucce, o guitarrista divino que lhe arrebatara desde a adolescência, quando seu irmão mais velho lhe apresentara às bandas de Heavy Metal e, principalmente, à Dawn Sunless.

“Apesar de estar ali a trabalho, a presença do Bellucce me perturbava. Eu não conseguia me sentir tão à vontade com ele. Ele era muito atraente! Por Deus, como tive fantasias com esse homem. Desculpe, Deus, o que eu disse foi profano!”

– Pág. 26

Luc era tudo que ela sempre sonhou e mais um pouco. Como a paixão não reacenderia com tamanha convivência? Mesmo a brasileira tentando ser o mais profissional possível, é inevitável que algo surja entre os dois, a química e a atração foram quase imediatas. Havia algo de magnífico nele, assim como em sua guitarra.

apenasrespire

Mas como nada na vida é fácil, havia fortes empecilhos que os impediam de ficar juntos, sobretudo o fato de o Bellucce ser casado e ter filhos. Ele já possuía uma vida consolidada, uma imagem internacionalmente reconhecida, e não poderia simplesmente largar tudo de uma hora para outra.

 “O Bellucce? Esse eu nunca esqueceria. Mas seria uma recordação guardada lá no fundo do meu coração. Como algo desejável infinitamente, mas impossível. Aquele tipo de história que a gente só conta para os netos.”

– Pág. 74

Através de uma narrativa que surpreende pela transparência, Rossana Cantareli Almeida desvela temas reais e atuais como a traição e a homossexualidade, de forma natural. O primeiro, a princípio, é o que mais choca – afinal, Isabela recebe bastante apoio de amigos e afins para se envolver com um homem casado.  Mas é uma situação real, que acontece com frequência, independente de apoiarmos ou não. Ainda mais, neste caso, em que Isabela o desejou a vida toda e, como num golpe do destino, teve a oportunidade de sua vida.

apenasrespireebook

Apenas Respire é um livro que desafia o leitor, convidando-o a se colocar no lugar dos personagens e a refletir sobre alguns “valores”, sem fazer apologia a nada.

“(…) Como duas pessoas apaixonadas não podem ficar juntas? Por que se permite que duas pessoas se apaixonem se não podem viver esse amor? Isso era muito injusto. Não devia ser permitido pelas leis do universo.”

– Pág. 109    

Bem construído, o desenrolar da história é uma verdadeira montanha-russa de emoções! Apenas Respire me conquistou logo pela capa – simples, mas maravilhosa! – e não tenho dúvidas de que acertei em cheio em ter me inscrito para este Book Tour. Sem falar, claro, na lista incrível de músicas citadas ao decorrer do enredo! Apeguei-me aos personagens, aos seus dramas, e não me contentei com o final… Vago, mas que deu abertura para uma continuação. E a autora já confirmou um próximo livro por aí!

Pela coragem, pelos personagens – quero amigos como a Mila e o Frederico para já! Hahaha – e pela intensidade, este livro recebeu classificação máxima e a autora, mais uma fã!


Apenas Respire, além de estar disponível à venda no site da Editora Multifoco, em breve também será lançado em e-book na Amazon.


Sobre a autora:

rossana

Gaúcha; advogada; casada com Marcelo; mãe do Cassio; madrasta do Arthur.

Começou a escrever por incentivo do seu marido, pois gostava de ler e sempre soube contar histórias. Seu primeiro livro, Apenas Respire – Rock e perfume: paixão no ar, foi escrito de forma despretensiosa. No entanto, foi tomando corpo e depois de lido por algumas pessoas entendidas, foi publicado pela editora Multifoco em Junho de 2016.A partir de então, Rossana nunca mais parou de escrever.

Tem uma coluna no site Rede Sina, chamada Contos do Cantos, onde publica quinzenalmente um conto embalado por uma música.

O Beijo da Morte (Judie Castilho)

Imagine a seguinte situação: O planeta Terra não é o único planeta no Universo com vida inteligente – o que realmente acredito, mas enfim… -, onde 16 planetas são aliados à União Universal (Uni Uni) e 4, os planetas “Gafanhotos”, são inimigos de todo o Universo numa busca incessante por poder. Além disso, seletos adolescentes de todos os povos se encontram anualmente na Academia Frantila, o melhor e mais disputado centro de estudos do mundo, ondem aprendem a desenvolver suas habilidades (controle corporal, domínio dos elementos naturais, controle mental etc.) e têm a oportunidade de conhecer os demais povos e culturas.

Gênero: Fantasia/ Romance
Páginas: 460
Editora: Chiado
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

O_BEIJO_DA_MORTE_1461092143579265SK1461092143B

SINOPSE

Quando a paz no universo está ameaçada, um amor impossível pode se tornar uma poderosa arma nas mãos inimigas.                                                                

Haysla e sua amiga, Violyt, estão iniciando uma nova fase em suas vidas.
Depois de passarem muitos anos na Terra, enfim chegou o dia pelo qual elas tanto esperaram! Elas estão completando 17 anos e ingressando na Academia Frantila, a escola mais prestigiada e disputada do universo.
Mas as coisas não serão fáceis para elas…
A União Universal e seus 16 planetas aliados acreditam estar cada vez mais unidos e poderosos. Porém, uma grande conspiração intergaláctica está se formando. Seus planetas inimigos não querem mais viver à margem do universo. Eles estão em busca de poder e de um elixir que lhes garanta uma longa vida.
Para complicar ainda mais as coisas, Haysla está vivendo um peculiar triângulo amoroso.
De um lado, um amor leve, divertido, tranquilo… Possível.
De outro lado, um amor ardente, avassalador, compulsivo… Mas impossível.
E para viver este amor, Haysla não temerá consequências, e pode colocar todo universo em sérios apuros.

 

Aos 17 anos, Haysla Rhieavatre e Violyt Fhanthisk, amigas inseparáveis que viveram muitos anos na Terra, estão prestes a ingressar na Academia Frantila, e é a partir desse ponto que o livro se inicia. Afinal, em seu planeta natal as garotas estavam acostumadas a serem populares desejadas e principalmente o centro das atenções – o que Hasyla adorava e almejava. Mestiças, a beleza e certas habilidades delas se destacavam. Mas na Academia, elas não eram as únicas com poderes especiais e beleza exótica. Será que elas conseguiriam mesmo se adaptar à nova escola?

Além do mais, elas são filhas de ninguém menos que Vryan Rhieavatre, o presidente da Uni Uni. Ou seja, o cara que apenas comanda todo o Universo. Vryan foi um personagem que me chamou bastante a atenção. O relacionamento que ele tem com as meninas, ainda mais com Violyt, que não é sua filha biológica, é admirável e muito bonito de se acompanhar. Ele é extremamente atencioso, carinhoso e cuidadoso com elas, sendo capaz de tudo para mantê-las a salvo. Por outro lado, ele também possui a face “Presidente”, onde é perspicaz, temido e extremamente rigoroso – qualidades necessárias para conseguir manter tudo em ordem. Na história, podemos observar o contraste entre esses dois “lados” de Vryan e, com toda certeza, sua segunda face é capaz de deixar qualquer um tremendo de medo!

Violyt era mais que uma amiga pra ela, era mais até que uma irmã. As duas estavam sempre tão juntas desde que nasceram, que era como se elas fossem duas metades de um todo. Violyt era quase como ela mesma.

Já no primeiro dia de aula, ao caminharem em direção ao laboratório, Haysla e Violyt se deparam com um homem de beleza inimaginável. E Hasyla nem sequer consegue disfarçar seu imediato interesse. Mas há algo de errado com ele. Ele parece não corresponder a nenhuma investida de Haysla – o que a emputece e faz com que ela comece a implicar com ele sem ter argumentos reais para isto. Ela só não imaginava que ele era, na verdade, Benjamin Thriskow, professor da Academia, Ministro da Uni Uni e braço direito de seu pai. E mais: ele é um Klyso, oriundo do planeta Eklyses, e possui um veneno mortal que, em contato com o organismo de Haysla, é capaz de matá-la imediatamente.

Em outras palavras, Benjamin pode significar enorme perigo a ela. Um romance entre os dois seria insensato e literalmente mortal.

Ao decorrer do ano letivo, já entrosadas, as protagonistas estabelecem vários laços de amizade, entre eles: Donank, Lohan, Noaha, Shiva, Dandara e Keynel. Cada um deles especial à sua maneira, e o valor e importância da amizade é algo marcante no livro inteiro. Enquanto isso, um triângulo amoroso nada convencional começa a se formar: de um lado, Benjamin, com todo seu poder e charme, e do outro, Keynel, com todo seu carinho e dedicação infinita. E o leitor, assim como Haysla, encontra-se dividido entre dois caras tão distintos, mas igualmente especiais. Como já fiz questão de dizer à autora: ambos são personagens muito bem construídos e facilmente apaixonantes. Eu achei muito interessante que, mesmo tão imponentes Benjamin e Keynel não fazem aquele tipo machista de homem que não demonstra sentimentos por medo de parecer frágil ou que precisa provar sua “masculinidade” o tempo inteiro. Particularmente, sou Team Benjamin, mas muita coisa vai rolar até que Haysla enfim acabe com o suspense e opte entre amor e estabilidade, ou amor e perigo. Tenho que concordar que tudo que é proibido parece ter um gostinho mais atraente! (Hahaha)

marcadoresroxinhos

Preciso ressaltar que não tenho o costume de ler livros de fantasia. São poucos que captam meu interesse. Quando decidi me aventurar por “O Beijo da Morte”, não imaginei que acabaria tão envolvida com a trama e os personagens! A narrativa, em terceira pessoa, possibilita uma visão mais ampla dos fatos e um entendimento melhor dos personagens, e a escrita da Judie Castilho é leve e fluída, de maneira completamente abarcante.

A princípio, não simpatizei com Violyt, muito menos com Haysla. Enquanto a primeira é excessivamente insegura e doce, a outra é excessivamente arrogante e confiante. Achei que, enquanto uma era “de mais”, a outra era “de menos”. Porém, com o decorrer das páginas, percebi que esse era mais um contraste que dava graça ao livro, principalmente a personalidade única de Hasyla! Quando soube que Hasyla é do signo de Áries (no caso, em nosso planeta), tudo fez sentido… Impulsiva, determinada, orgulhosa, sedutora… Por fim, notei mais coisas em comum entre mim e Hasyla do que apenas o signo – também sou Ariana! Hahaha

banner (1)

Amei o livro, achei a capa maravilhosa e me impressionei com tamanha imaginação da autora! Ela criou tanta coisa (planetas, sistemas solares, lugares, amuletos, lendas, raças etc.), numa riqueza de detalhes, sem ser maçante (como a narrativa de O Senhor dos Anéis, por exemplo, que achei maçante justamente por conter descrições demais de detalhes desnecessários), favoritei, e espero ansiosa a próxima continuação da série “Sob a Luz das Galáxias”. O livro se inclina para um final eletrizante, cheio de ação e emoção, onde Haysla, quase sem querer, acaba dando muita dor de cabeça ao Presidente Vryan e deixa todo o Universo em perigo, em nome do amor.

“Tentarei ser feliz.” Virando-se para olhar Benjamin por mais uma vez, Haysla mentalizou, já a uma certa distância, “Mas nunca deixarei de te amar. Enquanto meu coração pulsar, pulsará por você.”

*O Ebook nos foi concedido em parceria com a autora.