Eu sou um pássaro

pássaro engaiolado

Eu sou um pássaro…

Que outrora era lembrado por emitir a mais bela canção numa manhã chuvosa e cinzenta
E por consequência alegrava todos à minha volta
Eu sou um pássaro…
Que voava livremente por onde eu sentisse que precisava ir
E deixava as marcas das minhas pequeninas patas como um lembrete de “estive aqui”
Eu sou um pássaro.
Pequeno… Mas que guarda o infinito dentro de si
Que apenas quer voar
Libertar-se…
Conhecer a imensidão de coisas que o mundo guarda para nós
Mas eles me prendem numa miserável e enfadonha gaiola
E esperam que o meu canto seja como antes
Mas, nem sequer canto
E o único som que ouço é o barulho perturbador do meu silêncio
Regado de memórias do que foi e receios do que será
De qualquer forma, como poderia cantar quando a força que me fazia liberar sentimentos em forma de canção foi extinta
No momento em que cortaram minhas asas?
Eu sou um pássaro
Que em tudo enxergava poesia
Mas até ela me abandonara
Quando meus olhos foram vendados
Substituídos pela escuridão da prisão em que me obrigam a ficar
Eu sou um pássaro
Que era rodeado de outras almas
Porém agora tem que aturar a solidão da própria companhia
E ininterruptos pensamentos que não se devem dizer em voz alta
Mesmo assim eles desejam que eu esteja alegre o tempo todo
Como costumava fazer
Mas ainda tenho esperanças
Afinal,
Sou um Beija-flor ferido
Tentando se convencer de que é uma Fênix.

– Alasca Young, 28/07/16.

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