O poder de escrever – #DiadoEscritor (25/07)

Que tal comemorar o Dia Nacional do Escritor (data instituída em 1960 pela União Brasileira de Escritores, para homenagear os escritores nacionais e a produção literária no Brasil) com muita poesia e textos sobre o poder de escrever e, claro, sobre o nosso principal instrumento de trabalho: as palavras!

arianosuassunafrase

O poder de escrever

“Por que escreves poesia?”
— Sinceramente, não sei…
Talvez seja um modo de expelir essa agonia.

Meus versos são de quem lê
De quem sente!
De quem têm a capacidade de entender
O poder de escrever.

“Escreves por amor?”
— Não!
“Então seria por ódio?”
— Também não!
Eu lírico impessoal
Intransitivo
E sentimental.

Vivo para escrever
Mas quem me dera um dia
Escrever para viver.

— Alasca Young e Luna Baker.

As palavras

Têm palavras embaralhadas, confusas
Desajeitadas
Que expressam sem pudor
A felicidade e a dor
De um amor.

Outras são rebuscadas
Bem elaboradas, formalizadas
Difíceis de pronunciar
Mas que encantam o coração
Dando (tamanha) inspiração.

Tem também a abreviação…
Facilitando assim
O uso de cada expressão
Tornando mais simples a comunicação.

O que dizer das palavras…?
Que possuem grande poder
De persuadir e expressar
Através delas ganhamos…
A liberdade de criar
A imaginação soltar
E diversas histórias para contar…

— Alasca Young e Luna Baker.

DIADOESCRITOR

 

 

Há um demônio dentro de mim

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Há um demônio dentro de mim…
Ele ressurge todos os dias
Como se nascesse das cinzas
E se exibe publicamente; sem pudor
Receio ou controle
O bom, entretanto, é que sua aparição
Depende da aparição de um outro alguém:
A mulher que roubou meu coração
Juntos, inevitavelmente, os dois conseguem extinguir
Qualquer tipo de sanidade que em mim habite
Eles gritam; escandalizam
Mergulham-me em puro horror
Tal é então a minha loucura proclamada!
Há um demônio dentro de mim
Que serve incontestavelmente à sua ama:
A mulher dos olhos de pérolas verdes
Que combinam com os meus: grandes pérolas negras
Há um demônio dentro de mim
E dentre os leigos…
Ele é conhecido como “amor”.

— Alasca Young, 29/11/2016.

Olá insônia, minha velha amiga

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Olá insônia, minha velha amiga

Nos encontramos mais uma vez

Sinto lhe dizer…

Mas não, não estou feliz com nosso reencontro

Você está sempre batendo à minha porta…

Mesmo quando eu já lhe disse adeus inúmeras vezes

Ainda que perpétua companheira,

Jamais odiei tanto alguém

Como odeio você.

Nunca desejei tanto me livrar de algo…

Como quero desesperadamente livrar-me de tuas garras infernais!

Olá insônia, minha velha amiga

És tão descarada e presunçosa,

Que só apareces quando eu mais preciso de sua inexistência

Quando eu mais quero focar em qualquer outra coisa…

Que não seja você.

Olá insônia, minha velha amiga

Bilhões de miseráveis humanos afora

E você tinha que escolher logo a minha mente perturbada para fazer morada?

— Alasca Young, 12/07/2017.

Como vou te dizer?

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Como vou te dizer que há momentos em que a gente precisa crescer?
Tantas coisas para esquecer e outras para aprender.
Como é que eu vou te dizer que já estás velho demais para brincar de faz de conta? E que o mundo cruel espanta.
Como é que eu vou te dizer que um dia a gente cansa de cantar a canção da esperança? Como é que eu vou te dizer que esperar demais machuca?
Como é que eu vou te explicar que você sai de casa, e às vezes não sabe como voltar?
Como é que vou te dizer que o mundo se destrói lá fora, e que o caos interior por vezes é tudo que sobra.
Como é que vou te dizer que o peito dói demais quando se espera demais? E que com o tempo a gente aprende a não olhar para trás.
Como vou explicar as façanhas da vida, se ainda sou criança para entender?
Como vou te dizer que mesmo quando a gente cresce, há tantas coisas que não sabemos compreender.
Como vou te explicar que às vezes matamos para não morrer?
Como vou te dizer que às vezes morremos em silêncio? E que é morrendo que aprendemos a viver.
Como vou te dizer que as coisas que não dizemos nos engole por dentro? E mesmo gritando não existe ninguém para nos socorrer.
Como vou te explicar sobre o amor, se ainda não aprendi como amar?
Como é que eu vou te dizer que às vezes o peso que carregamos é intenso demais, e por  vezes sem merecer?
Como vou te explicar que o ideal de justiça anda falho e que se você não segue a linha padrão é considerado um fracasso?
Como vou te dizer que o café esfria e por vezes amarga assim como a vida?
Como vou te explicar que somos jovens demais para decidir tudo o que queremos e tudo o que somos?
Como vou te explicar que o tempo passa… E que as coisas que amávamos antes não amamos mais?
Como vou te dizer que o mundo anda doente de ódio e que não há cura; senão o amor.
Como vou te dizer que mesmo depois de adultos os fantasmas ainda insistem em morar conosco, não mais de baixo de nossas camas, mas sim dentro de nossas mentes.
Como vou te explicar que a escuridão ainda assusta, e que o dinheiro não é mais apenas para doces e guloseimas.
Como é que eu vou te dizer que não existe mais mesada dos pais?
Como é que eu vou te dizer que estamos sós, e que muitas vezes nos perdemos e não encontramos caminhos para seguir?
Como é que eu vou te explicar para não correr demais, para viver o que se faz presente, sem estar preso no passado descontente?
Como é que eu vou te dizer para não se apressar para o futuro, se o futuro é o presente quem faz?
Como vou te explicar que tudo acaba sem obliterar as fantasias do teu coração?
Como é que eu vou dizer que mesmo ansiado o sim, muitas vezes ouvimos o não?
Como vou te dizer que nós choramos a noite e durante o dia somos obrigados a sorrir? Como vou explicar que nos ensinam que chorar é uma fraqueza? E o quanto é inaceitável que sejamos fracos?
Como vou te dizer o quanto há de gente lá fora passando fome? E que o mundo inteiro se esconde? Isentando-se da culpa.
Como vou te explicar que o dinheiro é tudo o que conta? E assim o que não soma, some.
Meu bem, como vou te dizer que vai chegar o momento em que nada vou dizer?

— Luna Baker, 22/06/2017.

Mãe…

Poema a todas as mães

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Mãe…

Mãe é um ser sublime
De beleza excepcional
Mas não me refiro à beleza externa
Falo da verdadeira e plena beleza
Que reside no coração de cada mãe que nesta terra habita.

Mãe…

Há tantas por aí
Mas inegavelmente
Cada uma é única e especial
Aliás, elas não são apenas uma
São infinitas dentro de seu próprio corpo
São educadoras; amigas; psicólogas; mestres
São incompletamente completas.

Ah, a Mãe-Natureza!
Dona de todas as coisas
Tamanha generosidade
És pura e acolhedora.

Mãe, porém, não é só aquela de sangue
Que deu à luz
Ou que possui um sistema reprodutor feminino…
Mãe é também aquele pai que faz papel de mãe na vida do filho
E também os avós daquelas crianças que não têm mais ninguém de família
É também aquela que,
Mesmo não tendo saído de seu útero,
Abraça e ama deveras o ser humano que lhe foi concedido.

É também o irmão mais velho que se desdobra para suprir as necessidades dos mais novos
E, sem dúvidas,
Aqueles casais não-heterossexuais que são esquecidos num dia tão especial
Apenas por conta da sua sexualidade e/ou gênero
E aquelas que por motivos tais tiveram que abortar
Ou perderam seu fruto antes que ele brotasse.

Mãe não se resume à genitália
Não se resume a gênero
Não se resume à sexualidade
Não se resume a sangue
Não se resume à presença física
Não se resume a bens materiais
Não se resume a dinheiro
Não se resume a nascimento
Resume-se simplesmente a amor.

— Alasca Young.

(Sem data, para que seja um infindável presente. Afinal, dia das mães é todo dia.)

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Às vezes…

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Às vezes eu sou a coberta que confortavelmente te aquece nas noites tempestuosas, e às vezes sou a própria tempestade
Às vezes sou ceda macia que te veste, e às vezes a lâmina que impiedosamente te rasga
Às vezes luz que ilumina teu caminho, outras vezes escuridão que corrói tua alma e de medo faz afugentar tua coragem
Às vezes sou mar que te naufraga, e às vezes sou porto que te segura
Tenho estados de ser tua, e fases de ser sozinha
Às vezes meus sentimentos te inundam, outras vezes a realidade crua de minhas palavras ferem teu orgulho
Às vezes a minha independência faz você me admirar, outras vezes a minha ferocidade te amedronta
Porque sou assim, essa mulher de inconstâncias.
Às vezes paz, às vezes furacão.
Sobretudo sou amor que você não pode negar, tampouco escapar.

— Luna Baker; 03/05/2017