Tempo meu

tempomeupost

Às vezes eu apenas quero estar sozinha. Quero passar o dia inteiro na cama enrolada no meu cobertor, enquanto olho pela janela do quarto. 
Às vezes quero sentar no sofá às sete da manhã toda enroladinha, tomando uma xícara de café preparada por mim mesma. O frio nas manhãs tão cinzas me conforta, sinto-me parte do céu que mesmo nublado, sempre achei lindo e desde a infância admirava-o. Nesses dias gosto de tomar banhos demorados. No chuveiro enquanto a água molha meu corpo inteiro, e eu pense sobre a vida. Penso sobre as coisas que fiz, as que queria ter feito e talvez as que ainda vou fazer. 
E sim, eu gosto disso… Gosto da minha confusão pessoal. Gosto do furacão que mesmo avassalador, sabe ser calmaria. Gosto mesmo quando o tempo passa que eu nem perceba de tanto que gosto de estar em minha própria companhia. 
Só quero me perder em meus devaneios, escrever textos como esse sobre a minha própria essência. 
Não pense que me afasto porque não te amo. Ou que por algum motivo eu esteja triste. Não… Não é tristeza, não é falta de amor. É que preciso de um tempo somente meu para me conectar com meu Eu.

— Luna Baker, 02/07/2017.

Indicação e indicados ao prêmio “Mystery Blogger Award”

Vamos à mais um prêmio?!  😉

O Mystery Blogger Award consiste no reconhecimento e valorização de blogueiros “que cativam, inspiram e motivam através de suas postagens criativas. São reconhecidos pela intensa dedicação em criar com versatilidade e amor o que escrevem” e quem me indicou foi a Joy, do Por que não, Joy?“!

As regrinhas da premiação são:

1 – Colocar a logo/imagem do prêmio no seu blog;
2 – Listar as regras;
3 – Agradecer quem nomeou e fornecer um link para o seu blog;
4 – Mencionar o criador do prêmio;
5 – Conte a seus leitores três coisas sobre você;
6 – Nomeie até dez pessoas;
7 – Notificar os seus indicados comentando no seu blog;
8 – Peça a seus candidatos que respondam cinco questões de sua escolha, perguntas estranhas ou engraçadas;
9 – Compartilhe um link para sua melhor postagem.

mystery-blogger-award

Agradecimentos

Iniciativas como esta são lindas e trazem sempre um agrado bom, não é? rs
Meu mais sincero agradecimento à Joyce, que lembra sempre do bloguinho aqui! Muito sucesso e boas energias, meu bem  ❤

3 coisas sobre mim

1 – Além de intensa ao extremo, também sou bastante ansiosa e na maioria das vezes sofro por antecipação!

2 – Desde que li “Quem é você, Alasca?” pela primeira vez, em 2015, nutro um desejo muito grande de conhecer o Alaska! E em 2016, quando reli o livro, adotei desde então o “Alasca Young” como meu pseudônimo para textos e poesias autorais (revelações).

3 – Quando eu era criança morria de medo da Cobra Voadora (isso mesmo, uma cobra que voa! Hahaha). Durante a infância eu mal sentia fome, sempre comi muito pouco! Então minha família precisou inventar esse mito da Cobra Voadora para me pôr medo, assim, se eu não concluísse a refeição, ela viria pela janela da sala, pegaria-me e me levaria embora!

Ai, ai… Agora deu até vergonha de admitir que eu tinha medo disso!

Blogs Indicados (até 10 pessoas)

1 – Fica? Vai ter prosa;
2 – Alice na Lua;
3 – A BOOKAHOLIC GIRL;
4 – Atraídos Pela Leitura;
5 – CATARINA VOLTOU A ESCREVER;
6 – Caderno da Lua;
7 – Lendo Muito!!!;
8 – 1 PEDRA NO CAMINHO;
9 – Reclusidades Diárias;
10 – Blog do Palhão;

Cinco perguntas que a Joy me fez

1 – Um dia perfeito?

Seria um dia simples, mas com bastante comida, diversão, amigos e/ou família! Uma viagem, maratona de séries na Netflix, festa do pijama, cinema, dia na praia… ♥

2 – Para onde gostariam de viajar?

Tenho vontade de conhecer tantos lugares! Mas, antes de conhecer o exterior, seria incrível fazer um tour aqui pelo Nordeste e depois pelo Brasil!

3 – Gato ou cachorro?

Gato! Fascina-me a liberdade e a loucura que eles têm, além, claro, da fofura!

4 – Que tatuagem faria e por quê?

A segunda tatuagem que pretendo fazer é o símbolo do Feminismo (espelho de vênus). Planejo fazer junto com as minhas amigas, pela luta, pela militância, pela importância e principalmente pela mudança que o Feminismo ocasionou em nós.

5 – O que mudariam no mundo?

Pode ser tudo?! kk

Brincadeira!

Além de mais amor (que já engloba bastante coisa como respeito, compreensão, cuidado, carinho etc.), acredito que muitos problemas, de grande ou pequeno porte, poderiam ser evitados ou resolvidos se usássemos mais uma coisinha tão simples mas ao mesmo tempo grandiosa chamada empatia; não é tão difícil se colocar no lugar do outro.

Outra questão importantíssima é a atenção (na verdade, a falta dela) que temos em relação ao meio ambiente, à natureza e aos animais, trazendo desastres que, por vezes, podem ser irreparáveis.

Cinco perguntas que meus indicados devem responder

1 – Qual o livro que mais te marcou e por quê?
2 – Como surgiu o nome do seu Blog?
3 – Maior mico ou loucura que já cometeu?
4 –  Se pudesse voltar atrás e refazer as coisas, mudaria algo em sua vida? Se sim, o quê?
5 – Qual seu maior defeito e maior qualidade?

Melhor postagem

Todas elas são especiais e importantes de alguma forma!

Eu realmente não sou capaz de optar pelas minhas postagens. É claro que, por algumas, eu nutro um carinho maior, porém, ainda assim, sinto que não seria justo escolher apenas uma.

Beijos e até o próximo post!  ❤

 

 

 

Daqui a dez anos…

Uma vez estive pensando quem eu seria ou como seria daqui a dez anos… Embora não goste de idealizações. Não digo com veemência, nem com perpétua dúvida. Porém, preciso primeiro saber quem eu sou, ainda que uma pergunta tão filosófica como essa – que sinceramente não caberiam definições exatas – pois digo, sem desdém ou arrogância, sou tudo e ao mesmo nada, porque no futuro ainda sim serei tudo e ao mesmo tempo nada. Mesmo que meus cabelos fiquem grisalhos, minha pele fique enrugada, porque o envelhecimento é algo que não se pode escapar. Meus sonhos e objetivos sejam outros, as pessoas e coisas que amo sejam outras, continuarei a ser tudo e ao mesmo tempo nada.

Decerto tudo muda, hoje sou uma, amanhã serei outra. Algumas mudanças tão extraordinárias que chegam a ser quase completamente, outras miúdas, mas que podem fazer grande diferença. E de todas essas mudanças fica a nossa essência, que esta sim não muda, não digo que para sempre, porque tudo tem seu fim. A vida é um ciclo, assim como todas as coisas que nela há, existe começo, meio e fim.

futurotexto

Acredito ainda estar no começo, e quando estiver no meio, espero me arrepender de determinadas coisas, pois onde não há arrependimento, não existe lugar para o perdão, nem para o aprendizado. Espero também ser grata para lembrar algumas vezes saudosa das coisas que vivi. E depois quero ter sido o melhor que pude ser, em erros ou acertos. Por fim, concluo que daqui a uma semana ou dez anos, eu desejo apenas ser para recordar de ter sido.

— Luna Baker, 27/06/2017.

Como vou te dizer?

postblognaty

Como vou te dizer que há momentos em que a gente precisa crescer?
Tantas coisas para esquecer e outras para aprender.
Como é que eu vou te dizer que já estás velho demais para brincar de faz de conta? E que o mundo cruel espanta.
Como é que eu vou te dizer que um dia a gente cansa de cantar a canção da esperança? Como é que eu vou te dizer que esperar demais machuca?
Como é que eu vou te explicar que você sai de casa, e às vezes não sabe como voltar?
Como é que vou te dizer que o mundo se destrói lá fora, e que o caos interior por vezes é tudo que sobra.
Como é que vou te dizer que o peito dói demais quando se espera demais? E que com o tempo a gente aprende a não olhar para trás.
Como vou explicar as façanhas da vida, se ainda sou criança para entender?
Como vou te dizer que mesmo quando a gente cresce, há tantas coisas que não sabemos compreender.
Como vou te explicar que às vezes matamos para não morrer?
Como vou te dizer que às vezes morremos em silêncio? E que é morrendo que aprendemos a viver.
Como vou te dizer que as coisas que não dizemos nos engole por dentro? E mesmo gritando não existe ninguém para nos socorrer.
Como vou te explicar sobre o amor, se ainda não aprendi como amar?
Como é que eu vou te dizer que às vezes o peso que carregamos é intenso demais, e por  vezes sem merecer?
Como vou te explicar que o ideal de justiça anda falho e que se você não segue a linha padrão é considerado um fracasso?
Como vou te dizer que o café esfria e por vezes amarga assim como a vida?
Como vou te explicar que somos jovens demais para decidir tudo o que queremos e tudo o que somos?
Como vou te explicar que o tempo passa… E que as coisas que amávamos antes não amamos mais?
Como vou te dizer que o mundo anda doente de ódio e que não há cura; senão o amor.
Como vou te dizer que mesmo depois de adultos os fantasmas ainda insistem em morar conosco, não mais de baixo de nossas camas, mas sim dentro de nossas mentes.
Como vou te explicar que a escuridão ainda assusta, e que o dinheiro não é mais apenas para doces e guloseimas.
Como é que eu vou te dizer que não existe mais mesada dos pais?
Como é que eu vou te dizer que estamos sós, e que muitas vezes nos perdemos e não encontramos caminhos para seguir?
Como é que eu vou te explicar para não correr demais, para viver o que se faz presente, sem estar preso no passado descontente?
Como é que eu vou te dizer para não se apressar para o futuro, se o futuro é o presente quem faz?
Como vou te explicar que tudo acaba sem obliterar as fantasias do teu coração?
Como é que eu vou dizer que mesmo ansiado o sim, muitas vezes ouvimos o não?
Como vou te dizer que nós choramos a noite e durante o dia somos obrigados a sorrir? Como vou explicar que nos ensinam que chorar é uma fraqueza? E o quanto é inaceitável que sejamos fracos?
Como vou te dizer o quanto há de gente lá fora passando fome? E que o mundo inteiro se esconde? Isentando-se da culpa.
Como vou te explicar que o dinheiro é tudo o que conta? E assim o que não soma, some.
Meu bem, como vou te dizer que vai chegar o momento em que nada vou dizer?

— Luna Baker, 22/06/2017.

Inocência Perdida (A Saga de Um Pintor) – P. M. Mariano

Pesado. Ácido. Impactante… Eu poderia prosseguir com vários adjetivos sobre este livro, mas, ainda assim, não seriam suficientes para defini-lo.

Gênero: Drama/Romance
Páginas: 316
Editora: Drago Editorial
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

A_SAGA_DE_UM_PINTOR_

SINOPSE

Até onde vai a crueldade humana?
Felipe sentiria na alma e no corpo que tudo não é apenas carinho e amor. Após descobrir que tinha uma família, viu que os anos passados no abrigo São Marcos, foram os melhores de sua vida. E que a felicidade que tanto desejava em família, era ilusória e, aos poucos, descobre que a vida não é tão simples, e que até mesmo entre famílias existem monstros.
Aos onze anos sentia na pele a violência e a crueldade daquele que deveria amá-lo e protegê-lo.
O que poderia fazer, se a vida de seu irmão dependia de ele aceitar os caprichos de uma mente doentia? Como fugir do monstro que vivia a seu lado?
Esta é a história de um menino que tinha rosto de anjo, mas viveu um inferno na vida.

Felipe era um órfão que vivia com seus amigos num abrigo comandado por padres, o orfanato São Marcos. Ele jamais conhecera sua família e sentia no peito, todos os dias, a solidão e a falta que esta fazia. Assim como as demais crianças do lugar, tudo que Felipe queria era um lar. Uma família de verdade. Ele queria ter uma vida “normal”.

Somente após 11 anos, o menino acaba descobrindo que tem um irmão gêmeo e, melhor ainda, uma família. A conexão que sentira com Tobias desde o primeiro momento que o vira fora tão intensa e verdadeira que nem mesmo a limitação verbal e auditiva de seu irmão gêmeo foi capaz de interrompê-la. Seu maior sonho supostamente, estava prestes a ser realizado.

Ele teria, finalmente, um lar.

O menino só não esperava encontrar um monstro no lugar do seu pai e dor e sofrimento no lugar que deveria ser ocupado pelo carinho e amor familiar. Quem imaginaria que Carlos Fabio, um dos maiores empresários do país, seria também um maníaco pedófilo? Como uma figura tão importante poderia estar envolvida em escândalos que, se descobertos, teriam potencial suficiente para lhe render prisão perpétua? Que pensamentos doentios estariam por trás de seu sorriso perverso? Por fim: Quão cruel um homem pode ser com seu próprio filho?

inocenciaperdida

Inocência Perdida não é só mais um livro qualquer. Não é só mais uma história dramática. É um grito de guerra, um alarme de perigo, um aviso claro: precisamos cuidar de nossas crianças e adolescentes. Até quando a sociedade continuará fechando os olhos para abuso sexual, prostituição e exploração infantil?!

“Felipe calou-se olhando aos macacos que se agitavam na jaula, eufóricos, gritando, como se pedissem que fossem soltos. Era assim que ele se sentia, preso ao pai, irremediavelmente atado aos desejos dele. Repentinamente, engoliu em seco, tentando controlar-se e não explodir num choro desesperado.”

Eu adoro ler livros com temáticas voltadas para questões sociais, aqueles que têm uma pontada de militância e certa dose de drama, no entanto, é preciso dizer que a leitura deste livro não fora nem um pouco fácil! Afinal, este primeiro livro da Saga de um Pintor é sem dúvidas um dos livros mais pesados que já li, devido ao tema delicado e a riqueza de detalhes e de cenas fortes. Mais uma vez, parabenizo a autora Priscila Marcia Mariano pela coragem! Inúmeras vezes durante a leitura me peguei pensando no quanto de estômago deve-se ter para escrever cenas tão hediondas… Mas pior ainda é perceber que tais cenas são constantes no cotidiano de milhares de crianças. Menos da metade desses casos são descobertos e/ou denunciados. E quando a denúncia ocorre, a justiça brasileira é lenta e não dá a devida atenção. Ainda mais quando os escândalos envolvem figuras famosas e influentes – os casos são rapidamente abafados.

 É extremamente lamentável quando quem mais deveria te proteger e amar é a pessoa que mais te machuca. Da pior forma possível. Felipe é uma criança dócil, gentil, carinhosa e amorosa, porém verá sua vida ir do céu ao inferno num piscar de olhos assim que conhece Carlos Fabio. Embora seja emocionalmente forte, o garoto é gradualmente destruído por dentro e suporta tudo em silêncio em nome de seu irmão gêmeo Tobias, para preservá-lo; A última coisa que Felipe queria era que seu irmão sofresse o que ele sofreu nas mãos do pai.

“Você me destruiu… Mas eu vou destruir a você meu pai”.

O inevitável desejo de vingança surge e a cada novo capítulo o livro vai tomando um rumo surpreendente e de tirar o fôlego! Todos os méritos à autora, tanto na escrita quanto na militância. Com exceção de alguns errinhos de revisão gramatical, a edição está bastante agradável para leitura. A começar pela capa – com tons bastante pertinentes de preto e vermelho que já deixam claro o teor da obra.

Inocência Perdida é o primeiro livro de uma saga e não vejo a hora de descobrir que rumo Felipe levará nas próximas obras!

Eis aqui um livro mais que recomendado, porém, cuidado: É preciso estômago!

 

E ainda assim parte de mim

tatuagem-casal-se-completam-3

Você tem o seu jeito, eu possuo as minhas fases que nem sempre são fáceis. Você tem os seus erros e desculpas, eu possuo as minhas falhas e dissimulações. Você tem sua determinação e tuas inseguranças repentinas, eu possuo a minha coragem e os meus medos. Eu acho que nunca fui tão imperfeita ou incompatível com alguém. E por motivos inexplicáveis eu ainda desejo estar com você. Eu estava pensando que só conseguimos enxergar o quanto somos diferentes, significa também o quanto somos parecidos e não vemos. O amor é uma das maiores façanhas da natureza humana, o mais corajoso dos sentimentos e ao mesmo tempo o mais miserável. Eu nunca imaginei que mesmo depois de tanto tempo tu ainda me amarias, tampouco que eu por ironia do destino pudesse tão inacreditavelmente sentir tanto… Eu sempre afirmo com veemência que nunca servi para o amor, o que é totalmente verdade. Porque há tantos anos e ainda nesse momento eu não sei como estar completamente apaixonada ou suspirando emoções como a maioria das pessoas. Eu nunca soube como me entregar completamente, eu perpetuamente estive com os pés no chão. Realista demais até mesmo para os teus romantismos surrealistas. E às vezes fria demais para tua sensibilidade. E você impaciente demais para o meu tempo tão maçante para aceitar o amor. Orgulhosa demais para aceitar tuas ponderações. Egoísta demais para dividir meus sonhos, dores e alegrias. Louca o suficiente para perdoar tuas inverdades. Minha demais para te pertencer. Conectada o suficiente para dizer adeus e tu puxar-me de volta. És emoção demais para minha razão. Raso demais para minha profundidade. Impulsiva demais para pensar no que dizer e você sonhador demais para pensar nas consequências. E ainda assim és tão parte de mim quanto eu sou de ti.

— Luna Baker, 13/06/2017.

Chiclete pra Guardar pra Depois (Andreia Evaristo)

Embora o título chamativo e singular do livro tenha enormemente me chamado a atenção e despertado minha curiosidade, não pesquisei mais a fundo sobre a obra antes de lê-la – medo de spoiler on! – e preferi deixar que a parceira Andreia Evaristo, através de Chiclete pra Guardar pra Depois, surpreendesse-me. E foi o que aconteceu com sucesso (missão dada, missão cumprida)!

Gênero: Crônica
Páginas: 118
Editora: Areia
Classificação: 🌙 🌙 🌙 🌙 🌙 / 5

CHICLETE_PARA_GUARDAR_PARA_DEP_1482512492637857SK1482512492B

SINOPSE

“Chiclete pra Guardar pra Depois” (Editora Areia, 117 pág., 2016) reúne 37 crônicas nas quais a autora reflete sobre amadurecimento e sobre o mundo contemporâneo. Em tom quase de confissão, é como se Andreia abrisse seu diário para o leitor e dialogasse com ele sobre as agruras de crescer – principalmente para as meninas.” (Jornal A Notícia, 08/08/16)

A começar pelo gênero textual: crônica. O livro traz um acervo de 37 crônicas que retratam dramas da fase adulta, nostalgias da infância e adolescência e reflexões sobre a vida e o amadurecimento da autora, por meio de um eu-lírico com voz de adolescente liberta, mas com sabedoria de adulto – essas coisas que só se aprendem com o passar do tempo, mesmo que quando jovem a gente sempre ache que já sabe de tudo.

Os textos são permeados por um “quê” de desabafo e aceitação, como que expondo os personagens, a autora e principalmente a nós mesmos, os leitores. É difícil não se identificar, não se ver incrustado nas entrelinhas das crônicas que a Andreia sabiamente preparou para saborear o seu ouvinte.

IMG-20170605-WA0031

Apesar de curtinho, a grandeza deste livro é imensa! São 118 páginas que falam sobre tudo e ao mesmo tempo nada (o slogan do Blog, por sinal! Hahaha). O bom-humor é característica marcante da obra que, mesmo abordando muitos assuntos da atualidade, pode ser facilmente lida e interpretada por todas as idades.

“[…] no fundo não me sinto com 26 anos de idade. Sei lá, a minha mãe, aos 26, tinha uma casa, um fusca, três filhos e um marido. Eu nem tenho ainda uma bicicleta.” 
– Pág. 19

Por algum motivo, durante a leitura, Chiclete pra Guardar pra Depois me fez lembrar-se do livro “Felicidade Clandestina”, da rainha Clarice Lispector! Talvez por igualmente apresentar a felicidade e a sabedoria que moram nas coisas simples, pequenas, essas que normalmente passam despercebidas aos nossos olhos desatentos.

“Uma menina, de seus seis, sete anos de idade, volta da escola sozinha. A chuva não é capaz de atrapalhar-lhe os planos de ser feliz com sua sobrinha de arco-íris iluminando o dia. Nos pés a galocha vermelha que percorre uma a uma todas as poças de lama que encontra pelo caminho. Quando a água respinga, ela gargalha – e o barulho da sua alegria inunda meus ouvidos.”
– Pág. 111

Eu amei cada palavra, cada crônica, cada risada, cada identificação, cada arrepio (sim, eu fiquei arrepiada em alguns textos!) e cada reflexão que a leitura me proporcionou. E dentre os textos, alguns que me encantaram deveras e merecem destaque são:

*Não é culpa minha;
*Espelho, espelho meu, esconde a celulite que já cresceu;
*A sua realidade;
*Fantasmas do Natal;
*Jeito para essas coisas;
*Adultescência;
*Tudo que há para viver;
*Chiclete pra guardar pra depois;
*Tó;
*Um gato chamado felicidade;
*A virtualidade do amor;
*E ele voou;
*Dia dos mortos;
*Abandono;
*Retrato;
*Favoritices;
*Viva os professores medíocres!
*Nem todo aluno é medíocre, só a média!
*Não era questão de escolha;
*Chuva de setembro;
*Meu mundo caiu;
*E quando acaba, como você se sente?;

Para fazer um paralelo com a última crônica (E quando acaba, como você se sente?) não me vinham palavras suficientes para expressar tudo que senti e pensei após uma leitura sucinta e, ainda assim, arrebatadora.

“[…] eu sei, caro leitor, que você gostaria mesmo que a felicidade fosse um cachorro, mas infelizmente não é. Se fosse um cão, as coisas seriam muito mais fáceis – você estalaria os dedos, assobiaria chamando, e a felicidade viria correndo em sua direção, abanando o rabinho. Mas como eu já disse, a felicidade não é um cachorro.”
– Pág. 47

A edição é uma fofura, a fonte é agradável para leitura, sem falar nas duas ilustrações que são um amor! Além disso, não há dúvidas de que a obra faz jus ao título; é como um chiclete que gruda e você não consegue mais largar. É um livro para ler, reler, indicar e guardar pra depois.

IMG-20170605-WA0023

“[…] Mas o chiclete, esse aliviador de tensões e odores, essa borrachinha saborosa e perfumada, é o amor que entregamos aos amigos. Sim, porque entregar um chiclete pode ser uma atitude boba para um adulto. Mas para um adolescente é mais que isso, é a partilha, a amizade em pedacinho, é um pouquinho de amor, sim, pra guardar pra depois.”